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Uma publicação compartilhada por Paulo César Gomes (@escritor.paulocesargomes) em

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A Cidade Provinciana e as Capitanias Hereditárias

Na Cidade Provinciana não há espaço para anônimos, nesse universo conservador e ditatorial, o que determina a carreira de um político é o seu DNA. A história dessa cidade é marcada por líderes que carregam um nome e um sobrenome, isso quer dizer que para ser um vencedor na política local, na basta ser bom, é preciso ter um nome e um sobrenome.

Na política provinciana em que os coronéis reinam como se ainda existisse “o absolutismo”, não se permite novas possibilidades, isso é provado pelo simples fato de que apenas uma mulher tenha sido candidata a prefeita desse município e outra a vice-prefeita. Se olharmos as cidades vizinhas, veremos que em sua maioria, já tiveram ou possuem uma mulher com prefeita. Isso prova que somos uma cidade extremamente conservadora e monopolizada por lideranças personalistas e machistas.Caso alguém queira comprovar, basta verificar a quantidade de secretarias de governo e a de vereadoras, que representam em seu seguimento algo em torno de 20%. Para quem insistir na teima é só olhar a mídia local e estadual que não noticia um nome de nenhuma mulher para prefeita ou vice nas próximas eleições. O contraditório é que estivemos bem próximos de eleger um homossexual como vereador, imagem os nossos coronéis como iriam reagir! Nessas horas alguns recorrem ao rei do cangaço… Somos a cidade de “cabras machos”! Somos a terra de LAMPIÃO! Isso não pode ser aceito!

Que argumento fajuto, na verdade o que importa para os nossos coronéis não é a situação social, o sexo ou a opção sexual, o que importa é o seu sobrenome, é o DNA. Na Cidade Provinciana o candidato representa uma família e não a população da cidade. Em Serra Talhada LULA jamais seria eleito, porque ele é do povo, ele nasceu no meio do povo, ele é simplesmente um SILVA! Um entre vários sofredores e humildes provincianos.

Nossas esperanças então depositadas nas futuras gerações, quem sabe elas irão democratizar o poder em nosso município, porque não é possível aceitar que em pleno o século 21 alguns queiram reinar como se estivéssemos no século 17, onde existiam as capitanias hereditárias. Serra Talhada não é e não será uma capitania hereditária, nossa cidade merece uma história com letras másculas, onde o povo deve e será soberano, e não um local em que apenas os coronéis e seus descendentes governam.

Devemos combater e lutar por uma Serra Talhada democrática, um município que não é um curral eleitoral, onde que manda e decide é o povo. Isso parece utópico, mas não impossível. Basta vermos que um homem do povo e um negro se tornaram lideranças mundiais com o voto dos excluídos. Nossa cidade não pode continuar a praticar essa política personalista e individualista, onde o que prevalece são os interesses pessoais. Queremos e precisamos muito mais do que isso, queremos deixar de ser uma cidade provinciana!

* Paulo César é professor, especialista em História Geral e graduando em Direito

Publicado no site Farol de Notícias de Serra Talhada, em de 05 dezembro de 2011.

domingo, 27 de novembro de 2011

A cidade provinciana e os sete pecados capitais

Por Paulo César Gomes, escritor e professor serra-talhadense

Os sete pecados capitais são atitudes humanas contrárias às leis divinas. Foram definidos pela Igreja Católica, no final do século VI, durante o papado de Gregório Magno. São eles: Luxúria, Gula, Avareza, Ira, Soberba, Vaidade e Preguiça. Na Cidade Provinciana os pecados são considerados em outra escala, porém, com a mesma intensidade e importância dos já conhecidos mundialmente. No universo provinciano os pecados são considerados a partir da sua origem, ou seja, pelos objetivos propostos e não cumpridos. Alguns exemplos estão abaixo relacionados.

1- A Capital do Xaxado – Como podemos ostentar esse título se nada é feito pelos poderes públicos no sentido de valorizar ou no mínimo estimular a prática dessa dança. As atividades que são promovidas são por iniciativas particulares ou com fins coletivos, como as que são realizadas pela Fundação Cultural Cabras de Lampião e os pontos de cultura.

2- A cidade em desenvolvimento – No que se refere à iniciativa privada isso é uma grande verdade, mas nos que diz respeito ao público é uma grande falácia. Basta observarmos as nossas ruas e praças, que em sua maioria são acanhadas, sem planejamento, e o pior sem arborização. Nossas ruas são verdadeiras vielas, não estão preparadas para o futuro e a modernização.

3- O progresso com a barragem de Serrinha – Essa foi uma obra que durou quase 50 anos para ser concluída, e aguardada com muita ansiedade, mas que na prática não cumpri como o seu objetivo. Nenhum projeto de irrigação ou de plantio de cultura adaptadas ao semi-árido são desenvolvidas, mesmo a cidade sendo sede de uma unidade da Universidade Federal de Rural de Pernambuco.

4- A revolução da educação – Mesmo a cidade possuindo várias universidades, faculdades e cursos técnicos, nossas notas de avaliação em caráter nacional ainda são pífias, isso prova que precisamos investir mais no ensino básico e valorizarmos os nossos professores que ensinam aos alunos do ensino infantil.

5- O berço de grandes artistas – A frase reflete o nosso potencial, uma cidade de grandes valores, artistas que são reconhecidos a nível nacional, mas que em âmbito local são desvalorizados e não recebe incentivos, uma realidade cruel, basta ver as nossas produções artísticas que têm caído nos últimos anos, não vemos grandes artistas surgindo. Isso se deve a falta de apoio, um exemplo é o fato de não termos um teatro, local que nos possibilitaria apreciarmos os nossos valorosos artistas.

6- A cidade do futuro – Como podemos falar em futuro se a construção do parque industrial, a reforma do terminal rodoviário, o centro de conversão é só um discurso político. A campanha pela ampliação do aeroporto surgiu em função da iniciativa de empresários da cidade e da região circunvizinha.

7- Um grande pólo médico – Essa é uma das maiores falácias da cidade provinciana, fala-se que somos o 5º ou 4º polo médico do estado de Pernambuco, o que seria motivo de orgulho, mas na verdade muitos provincianos morrem por circunstâncias aparentemente possíveis de ser resolvidas por um bom médico. Então se somos esse importante polo médico o que falta para a população pobre posso se servir desse importante serviço? Será a falta de um de plano de saúde? Ou que sabe se tiver muito dinheiro no bolso? As indagações são muitas, a começa pelo fato de que um helicóptero que estaria a serviço do HOSPAM em atendimentos de urgência e que nunca serviu a população carente.

Caso os provincianos queiram analisar como mais detalhes a realidade da nossa cidade, possivelmente encontraram vários e casos de pecados capitais em Serra Talhada, o que vai comprovar que somos, ainda que alguns políticos não queiram, uma CIDADE PROVINCIANA  onde se promete muito e se faz pouco.

Publicado no site Farol de Notícias de Serra Talhada em 27 de novembro de 2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pernambuco não tem o direito de saber o nome do autor do “maior erro judicial da história do Brasil?” .

Por: Inaldo Sampaio


1- Seria cômico se não fosse trágico. A imprensa local e nacional noticiou nesta quarta-feira a morte, no Recife, do ex-detento Marcos Mariano da Silva, vítima, segundo o STJ, do “maior erro judicial da história do Brasil”.
2- Ele foi acusado de um crime que não cometeu e ficou 19 anos preso no presídio Aníbal Bruno.
3- Sua prisão ocorreu no Cabo de Santo Agostinho em 1976. Seis anos depois o autor do crime apareceu e ele foi solto. Mas em 1985 foi preso de novo porque a Polícia entendeu que ele era foragido da Justiça.
4- Depois da segunda prisão (injusta), Marcos Mariano perdeu a visão em consequência de estilhaços de uma bomba de gás lacrimogênio atirada no presídio por policiais para conter uma rebelião.
5- Solto novamente após 19 anos de cadeia, ele ajuizou uma ação contra o Estado pedindo indenização de R$ 2 milhões por danos morais e materiais.
6- Em 2009 lhe foi paga uma parte da indenização. Mas, para não pagar a outra parte, o Estado, através da Procuradoria, recorreu à Justiça.
7- Ontem, o Superior Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso do Estado e mandou que fosse pago o resto da indenização.
8- Infelizmente, logo que soube da notícia de que ganhara a causa na Justiça, Marcos Mariano infartou e morreu.
9- É uma triste história de um erro judiciário que daria um livro ou mesmo um filme.
10- No entanto, como a democracia no Brasil é relativa, segundo as palavras do general Geisel, nenhum órgão de imprensa divulgou o nome do juiz que condenou um inocente e passar 19 anos na cadeia.
11- O Brasil tem o direito de saber o nome deste irresponsável até para que erros como este não mais de repitam no Judiciário brasileiro.
É isso aí.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O feudalismo na Cidade Provinciana

A realidade política de Serra Talhada pode ser comparada ao período feudal, onde cada feudo era controlado por um senhor. Na conjuntura atual verificamos que cada líder político busca se encastelar em uma “estrutura pública” para se beneficiar e puder conseguir alguns “benefícios políticos”. Alguns Senhores tentam garantir o seu feudo com unhas e dentes, nem que para isso tenham que trair a sua história e deletar as críticas feitas aos adversários. Para se garantir no poder alguns vendem a sua alma ao diabo!

Nessa prática política provinciana, os “Senhores Feudais” pouco se preocupam com a ética ou com a decência, para eles o importante é manter-se no poder, é como se o povo realmente não tivesse memória, ou melhor, fossem meros vassalos e servos. Para alguns em 2012 será realizada mais uma eleição, para outros é um ano para escolhermos o melhor para cidade, mas para os “Senhores Feudais” será mais uma possibilidade de aumentar a estrutura do seu feudo.

O interessante de processo é que todos os pré-candidatos se lançaram com base em projetos pessoais, e brigam agora para garantir o apoio dos “Senhores Feudais”, são eles que decidem os candidatos, são eles que abençoam, casam e assinam o divórcio político. Nessa história os eleitores são os últimos a serem consultados, ou quem sabe iludidos. Fica claro que para os Senhores, ou Coronéis como queiram, não importa engolir a História, as denuncias, as declarações, os processos judiciais, as acusações, é tudo natural. Para eles tudo têm um remédio, se aparece qualquer desconforto digestivo, eles usam um bom laxante, para manter a boa aparência, um super óleo de peroba.

Nossos políticos são verdadeiros camaleões, se adaptam facilmente ao ambiente, para tanto, já mataram “o azulão” e “o cabeça vermelho” para não criar controvérsias nos palanques e nos discursos. Quem agradece é a nossa fauna, que não irá mais servir de bandeira para tantos hipócritas e oportunistas! Os nossos “Senhores Feudais” devem ficar risonhos ao saber que a nossa FAFOPST é uma das piores do Brasil, ou que o nosso IDEB é dos piores da região do Pajeu. Porque para eles a educação não importante, o importante é o voto, nem que seja comprando, pois ele é quem vai garantir mais um mandato e o controle do feudo.

Alguém pode dizer que isso ocorre em todo o Brasil, o que é verdade, por isso é que o nosso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano criado pela ONU) é inferior ao de vários países da América do Sul. Na verdade o Brasil ainda é um país colonial, e Serra Talhada uma Cidade Provinciana.

Publicado no site Farol de Notícias de Serra Talhada, em 21 de novembro de 2011.

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