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Veja o vídeo completo no link: https://youtu.be/.jBg3SvDNLpc

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Texto do blog Zuada do Sertão: D.GRITOS, a chama que se apagou mas continua a brilhar.

Uma das primeiras bandas a representar o rock and roll no sertão do Pernambuco, o D.Gritos marcou toda uma geração na cidade de Serra Talhada.
Iniciada em 1986, a banda gravou três discos “Barriga de Rei”, “Traumas” e “Navegantes”, sendo que apenas o primeiro foi lançado oficialmente.
Com melodias trabalhadas e letras marcantes, o D.Gritos conseguiu espaço num cenário antes pouco aberto ao rock, fato que contribuiu maciçamente no surgimento inúmeros apreciadores do estilo musical não apenas em Serra Talhada mas em muitas cidades por onde a banda passou.
Infelizmente no dia 29 de agosto de 1993, um dos líderes da banda Ricardo Rocha, sofreu uma fortíssima descarga elétrica em pleno palco e veio a falecer, fato que decretou o fim da banda. No entanto, o D.Gritos é lembrado e respeitado até hoje e continua a influenciar muitos músicos na região.

D.Gritos - Escravos de Ninguém (Porra). Ao vivo em 1989.
 
FONTES:
 
 
 
 
 
 
 
 
Texto publicado blog:http://zuadadosertao.blogspot.com.br

terça-feira, 27 de novembro de 2012

CANGAÇO: UMA VISÃO PARA ALÉM DOS CONCEITOS E DAS SENTENÇAS

Autor: Aroldo Ferreira Leão - Petrolina - PE
Novembro de 2008
 
 
Tema por demais complexo e abrangente, o Cangaço, com suas vinculações e insurreições, traz para o Sertão nordestino, ou mesmo para além dele, uma significativa visão de um Brasil vigoroso e sutil, problemático e iluminado como qualquer ser humano. É preciso consciência, inteligência, paciência, vivência em si para compreender esse fenômeno em toda sua extensão e repercussão. Pô-lo ao sabor das revoltas sociais, ou mesmo delimitá-lo no tempo, numa determinada época, é temerário, gera controvérsias e atropelos, não traduz sua luz nem seus breus. Daí que se faz necessário penetrar no cerne da questão e, digamos, a tarefa é ingrata, cascata de areia em meio ao seio dos veios dos rios temporários do Sertão. E justiça seja feita: A alma do mundo é o Sertão. Com sua seara de encantamentos e funduras acaba por nos revelar o quanto o mundo é transitório e imaginário, cenário de especulações e percepções raras. O sol neste espaço ganha conotações profundas, tece o espírito do sertanejo com a claridade de seus olhos iluminados pela solidão dos mulungus, umbus, urubus, surucucus, jucurutus e cururus deste Sertão que nasce, antes, dentro de nós e segue pela atmosfera como as feras dançando nas esferas das estratosferas. Quanto mais penetramos em nós mesmos, mais nos sujeitamos às leis da delicadeza e do silêncio. Não esqueçamos que o estudo sobre o Cangaço é obra sujeita a desvios de rumos, a mudanças de conceitos, a desnorteamentos interiores. E, de fato, para qualquer opinião ser emitida, precisa estar abalizada, cercada das melhores informações, de livros a revistas, passando por enciclopédias e dicionários, monografias, dissertações e teses; de poemas a músicas, penetrando na essência de cordéis, sextilhas, décimas, quadras, galopes, pés-quebrados, motes, cantorias, xaxados, baiões, xotes, forrós, sambas; de jornais a vídeos, adentrando em periódicos, telegramas, cartas, filmes, programas televisivos; de entrevistas a viagens, fluindo por cidades, museus, universidades, escolas, bibliotecas, livrarias, rios, chapadas, serras, caldeirões, dialogando com pessoas diversas, vendo e revendo o universo do Sertão, ainda em muitos lugares com feiras e pelejas, com cegos e aboiadores, terreno sagrado trazendo a alma do movimento de nossos antepassados para o intento que se busca, um elemento que delineie e clareie a força de nossas tradições em tudo que amamos e recriamos em nós, a todo instante. E após a realização de tudo isso, o tema ainda não estará esgotado, mesmo que melhor esmiuçado. Desde a origem do próprio nome, que muitos estudiosos afirmam se originar da palavra “canga”, peça de jugo dos bois, ou, ainda, como se verifica no dicionário Caldas Aulete(1958), tem-se que era um pau que atravessava os ombros de dois homens para suspender o fardo que eles transportavam, verifica-se que as coisas podem não ser bem assim. Há inúmeros vocábulos no Brasil, fora e dentro do Sertão, que remetem ao termo “canga”. Veja-se, por exemplo: Japecanga(planta liliácea de valor medicinal, também conhecida como salsaparrilha), cangancha(trapaça no jogo), cangambá(o mesmo que jeritacaca, pequeno mamífero mustelídeo), cangapé(dar um pulo ao se mergulhar, não só em águas, como também em areias ou no nada), cangatã e cangati(peixes de nossos rios, nomes expressos em tupi-guarani), cangaçais(mobília de gente pobre), cangalha(armação para sustentar e equilibrar a carga das bestas, distribuindo-a em duas metades), cangá(termo que, na Bahia, designava um tipo de alforje). Assim, constata-se que utilizar o nome Cangaço como origem apenas de “canga”, pode não ser conveniente, visto que a própria palavra se ramifica numa quantidade enorme de vocábulos com variados significados, construindo e reconstruindo a gênese e a mimese dos encantos do Sertão. O termo final “aço” ainda, também, não foi plenamente entendido e dissecado. Nele, como sabemos, o aumentativo, ou mesmo o diminutivo, em forma pejorativa, podem ser utilizados. Compreenda-se que tal palavra representa toda e qualquer espécie de arma branca, defensiva ou ofensiva. E, indo mais a fundo na questão, “coração de aço” e “alma de aço” trazem, logo à tona, o homem guerreiro e corajoso, tenaz e empreendedor, capaz e altivo, sincero e alvissareiro, de todas as épocas, não só Brasil, ou mais especificamente no Sertão, mas no mundo. É interessante se observar que “aceiro” é uma forma antiga, antiqüíssima, de sinônimo para aço. E, assim, mais uma vez, enxerga-se a sutileza do nome Cangaceiro que, ao que tudo indica, pelo menos no seu prefixo final, pode fazer referência ao “espírito de aço” dos homens valentes do Sertão. É claro que muito ainda pode ser revelado e entendido, debulhado com exatidão, alargado com hipóteses e estudos profundos que traduzam, de forma precisa e concisa, o quanto precisamos entender o Brasil, aflorá-lo, situá-lo no tempo, impulsioná-lo para o infinito, tratá-lo com o carinho de um passarinho por seu ninho, reinterpretá-lo a todo momento, pois esta é a nossa casa, compêndio magnífico de montanhas, estórias e histórias, fauna, flora, rios, lagos, riachos ou, adentrando no mundo encantado do Sertão, cacimbas e caldeirões, açudes e veios que nos tragam a essência de nós mesmos, brava gente silente em relação a suas tradições e ao futuro de seus atos. O Cangaço é tema de lendas, parlendas, contendas encantadoras e destruidoras. Em suas sendas, Lampião penetrou como ninguém, clareou, de forma astuta e absoluta, o território sagrado do Sertão, o imaginário burilado de seu povo. O Cangaço é um dos encantamentos do Sertão. Há os que interferirão em seus conceitos e leitos sem a delicadeza desta percepção. Cairão em buracos, grudados a ratos e carrapatos, e não beberão das fontes dos horizontes que o Sertão traz para seus filhos, trilhos soltos na eternidade da doçura dos sequilhos e polvilhos, dos milhos assados na fogueira de são joão, dos brilhos nos olhos das crianças que trarão em si o amanhã de suas singularidades.


Lampião e seus cabras: representações do cangaço na cultura popular


Por: Caio César Santos Gomes

Os estudos sobre o cangaço estão presentes nas diversas áreas da pesquisa histórica, uma vez que essa temática foi e continua sendo um ponto de discussão sobre o qual emergem diversos questionamentos que contribuem para a produção de pesquisas acadêmicas e profissionais.

Do ponto de vista da historiografia, muitos estudos referentes ao cangaço já foram produzidos, o que corrobora a importância de tal assunto para a história regional e nacional. A maioria dos estudos realizados se debruça sobre o movimento em questão, bem como o resultado material de suas ações pelos sertões do nordeste brasileiro. Porém, cabe salientar que a presença o cangaço tem sua importância reconhecida não apenas devido às proporções que o movimento tomou ao longo de décadas. Uma das marcas deixadas pelo cangaço foi a forte influência nas formas de representação cultural.

O movimento do cangaço tem uma presença marcante em diversos segmentos da cultura popular do Nordeste brasileiro. As influências podem ser facilmente percebidas, merecendo destaque a literatura pela vasta produção sobre o assunto. Mas essas influências não estão restritas ao campo da literatura, elas também aparecem com bastante solidez no teatro, na música, nos grupos de bacamarteiros, na culinária, no artesanato, no cinema, enfim, numa série de manifestações que retratam o cotidiano popular.

O artesanato regional é um forte repositório dos elementos figurativos e representativos do movimento. Em qualquer ponto turístico da Bahia ao Ceará é possível encontrar diversas lembrançinhas que remetem a figura dos cangaceiros. Outro repositório são as feiras livres, que vendem a céu aberto vários utensílios típicos da época e que remonta ao período do banditismo social e a ação dos cangaceiros nos sertões como os típicos chapéus e sandálias em couro, armas brancas como facas e facões, lamparinas, esteiras, chapéus de palha, enfim, uma série de elementos que eram utilizados no dia-a-dia por Lampião e seu bando.

Uma das maiores formas de representação e difusão do cotidiano do cangaço são as quadrilhas juninas, desde aquelas que apresentam o casal de cangaceiros Lampião e Maria Bonita, até as que trazem no nome a referência ao cangaço. Um dos refrões mais conhecidos do grande público: “Acorda Maria Bonita! Levanta vem fazer o café, que o dia já vem raiando e a polícia já ta de pé.” é presença garantida na maioria das quadrilhas juninas, e mostra como era o dia-a-dia de um grupo de cangaceiros: acordar cedo, preparar algo para comer e logo em seguida sair em fuga para escapar das forças volantes.

A existência dos elementos representativos do cangaço na cultura popular como observamos, é uma realidade que a todo tempo se mostra presente no nosso dia-a-dia. Por vezes, é comum que esses detalhes passem despercebidos aos nossos olhos, mas basta observar ao nosso redor e veremos que ainda se mantém viva as tradições e as memórias de Lampião e seus cabras em na região, e cabe a pesquisa histórica e principalmente as futuras gerações preservar esse patrimônio tão rico e memorável que são as tradições, as representações, enfim, a cultura popular, maior marca da identidade de um povo.

Caio César Santos Gomes - Graduado em História pela Universidade Tiradentes (UNIT); Pós-graduando em Ensino de História pela Faculdade São Luís de França (FSLF)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Transcrição da carta enviada por Lampião ao governador de Pernambuco

Senhor governador de Pernambuco,

Suas saudações com os seus.


Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. (...) Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço. Aguardo a sua resposta e confio sempre.


Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão

Fonte: livro Lampião, seu tempo, seu reinado - vol. III, de Frederico Bezerra Maciel, Editora Vozes. O arquivo do governo de Pernambuco sobre Júlio de Melo está indisponível, e a versão acima foi compilada por Maciel com base nas entrevistas de Pedro Paulo Mineiro Dias à imprensa pernambucana.

Lampião: O desafio do "governador do sertão"

Por Moacir Assunção
 
 
 
Ninguém sabe ao certo até onde foi à surpresa do então governador de Pernambuco, Júlio de Melo, naqueles primeiros dias de dezembro de 1926, quando recebeu das mãos do chefe de polícia Antônio Guimarães uma desaforada carta de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, propondo nada menos que a divisão do estado em dois e a indicação dele - Lampião - como "governador do sertão", título que os jornais locais estavam lhe conferindo, depois de muitas estripulias cometidas por seu bando.

Conhece-se apenas a reação do dirigente do estado, registrada pelos historiadores Frederico Pernambucano de Mello e Frederico Barbosa Maciel: "A proposta de Lampião terá uma resposta à altura de seu atrevimento e ousadia". E fica mais fácil entender esse atrevimento quando se recorda que na época Lampião se sentia excepcionalmente fortalecido por ter acabado de derrotar, em 27 de novembro, uma supervolante de 300 soldados, comandada por seus piores inimigos. Isso acontecera na Batalha da Serra Grande, a mais violenta da história do cangaço.

No dia 12 de dezembro, Júlio de Melo seria sucedido por Estácio Coimbra, que não se deu por rogado diante do desafio. Colocou na chefia da polícia um jovem advogado, filho de uma família aristocrática da Zona da Mata, Eurico de Souza Leão, que se encarregaria de dar a resposta oficial ao bandoleiro. Leão tomou, então, medidas que fizeram com que, em um prazo de um ano e meio, Lampião estivesse totalmente derrotado em seu estado natal.

Para começar, trocou os soldados do litoral que combatiam os cangaceiros - chamados pejorativamente de "pés-de-barro" - por sertanejos de hábitos e resistência física exatamente iguais às dos bandidos. Depois, começou a prender e processar os coiteiros (protetores de cangaceiros), quebrando a tradicional complacência e até mesmo cumplicidade dos poderosos chefes do interior para com Lampião e seus seguidores. Por fim, promoveu convênios com os estados vizinhos para enfrentar os bandidos.
Na carta, repassada a Guimarães pelo representante comercial da multinacional Standard Oil, Pedro Paulo Mineiro Dias, que havia sido refém do bando antes da Batalha da Serra Grande e solto sem pagamento de resgate, o bandoleiro propunha a partilha do estado de Pernambuco, de forma que ele, Lampião, governasse o trecho de Rio Branco (atual Arcoverde) até o sertão e o governador, de Rio Branco até "onde bate a pancada do mar", ou seja, Recife. Em Rio Branco terminava, na época, a linha férrea da Great Western and Brazil Railway.

Na curiosa "proposta", Lampião e o governo do estado nordestino viveriam em harmonia, cada um em seu feudo, como se o Pernambuco do começo do século XX fosse a Europa da Idade Média. Aquela não seria a primeira nem a última vez que Lampião faria um desafio aberto ao governo de um dos sete estados nordestinos pelos quais circulou, mas dessa vez a ameaça ganhava maior importância porque o cangaceiro - que em março daquele ano havia sido armado e municiado pelo governo do presidente Artur Bernardes para enfrentar a Coluna Prestes - vivia o apogeu do seu domínio sobre a região e seus habitantes.
Patente de capitão
A passagem da Coluna Prestes pelo Nordeste, em 1925, fizera com que o deputado Floro Bartolomeu, médico baiano que era uma espécie de alter ego do Padre Cícero, propusesse ao governo federal a contratação de Lampião para enfrentá-la. O bandido receberia, então, em 4 de março de 1926, a patente de capitão dos chamados Batalhões Patrióticos, milícia irregular formada para combater os comunistas.

Assim, o mais moderno armamento, como rifles Winchester modelo 44 e pistolas Mauser e Parabellum, além de farta munição, foi repassado aos bandoleiros, que, no entanto, somente uma vez, entre as cidades de São Miguel e Alto de Areias, no Ceará, deram combate a patrulhas avançadas da coluna do Cavaleiro da Esperança, apelido dado pelo escritor Jorge Amado ao líder Luís Carlos Prestes. Bem armados e municiados, com excelentes cavalos, fardamento militar na cor azul e a carta-patente assinada pelo Padre Cícero, os bandidos encontravam-se em um momento muito favorável.
Em 1938, pouco depois da morte de Lampião, Mineiro Dias contou, em entrevista ao jornal recifense A Noite, detalhes de sua participação no episódio. "Foi uma luta bonita, que durou o dia inteiro, e eu firme, embora assustado. A polícia retirou-se cerca das 17 horas, deixando alguns mortos e certa quantidade de munição esparsa pelo campo. É que a posição dos cangaceiros era ótima. Foi dessa vez que o então sargento Manuel Neto, lutando como um bravo, saiu ferido. Nessa noite, o harmônio [sanfona] tocou mais que em qualquer dia."

Para enfrentar adversários tão perigosos, o chefe de polícia de Estácio Coimbra mirou no ponto mais sensível para os cangaceiros: os coronéis do interior e simples cidadãos que os escondiam e lhes vendiam armas e munição em troca de proteção. Em pouco tempo, vários daqueles que forneciam armamento ao bando de Virgulino estavam na cadeia, como o coronel Ângelo Lima, o fazendeiro Ascênio Gomes e o comerciante Ascendino Gomes de Oliveira, todos sob acusação de ajudar os cangaceiros. Mesmo que os detidos não fossem os mais poderosos protetores dos bandoleiros, sua prisãoera um sinal de que algo mudava na região.

Homens duros

Em outra frente, Eurico de Souza Leão levou para a polícia sertanejos da própria região, o vale do rio Pajeú, de onde os bandidos eram originários, ampliando uma política iniciada no governo anterior. Agora, eram homens duros, acostumados a enfrentar a caatinga e suas dificuldades, que davam combate aos bandoleiros. Os resultados dessa mudança de estratégia não demoraram a aparecer. Lampião logo teria nos seus calcanhares homens como os nazarenos, naturais da cidade de Nazaré (hoje Carqueja, no Pernambuco), que se converteriam em seus piores inimigos.

Diante deles, o próprio líder cangaceiro tremeria. Mané Neto, Davi Jurubeba, Euclides Flor e Odilon Flor, entre outros, nunca lhe dariam descanso. Quando Lampião morreu, estes adversários choraram de raiva. É que, segundo Jurubeba, o bandido que eles perseguiram durante toda a vida acabou morto por João Bezerra, que não era um nazareno, mas sim um pernambucano, chefe de uma volante alagoana, por quem os nazarenos não nutriam grande simpatia. Aliás, Bezerra pediu e obteve, um dia antes do confronto, a metralhadora da volante baiana de Odilon Flor, para, afirmou, prender alguns bandidos. Flor jamais imaginou que o inimigo contra o qual iriam lutar fosse o próprio rei do cangaço. Se soubesse, estaria na linha de frente.


Os primeiros anos do governo Luciano Duque terá a cara do prefeito Carlos Evandro, a começar pelo secretariado

Paulos César é professor especialista em História Geral
 
Desde que se encerrou a apuração dos votos e que Luciano Duque (PT) foi anunciado como prefeito eleito, uma onda de boatos sobre o seu possível secretariado tomou conta dos principais veículos de comunicação e círculos sociais onde normalmente se discute política. Diante de tantas especulações, não resisti à tentação e resolvi dar o meu “pitaco”. Porém, não irei citar nomes, pois seria muita pretensão da minha parte querer prever o futuro, no entanto buscarei fazer uma rápida analise conjuntural.
 
Partido do princípio de que Luciano Duque foi eleito com o apoio do prefeito Carlos Evandro e que o mesmo defendeu publicamente a continuidade do “modelo gestão” adotado na atual administração, é possível dizer que o governo Luciano Duque será marcado inicialmente por características deixadas por Carlos Evandro. Mesmo que busque implementar de início o seu estilo, Luciano terá que trabalhar com muitas das peças que encontram-se a frente de inúmeros cargos de confiança, principalmente os do primeiro escalão, herança que será deixada pelo atual gestor.
 
Acredito que só após os dois primeiros anos de mandato o “estilo” de administrar de Luciano terá mais visibilidade e consistência, até porque será o tempo que o PT levará para mostrar a sua importância dentro do governo petista, pois muitas das propostas importantes do partido, como o Orçamento Participativo (OP), ficaram de fora da campanha eleitoral, o que impediu que o modelo de gestão da legenda fosse mais bem detalhado.
Por outro lado, o prefeito eleito tem dado sinais que indicará mais nomes técnicos do que políticos, a priori a iniciativa parece ser interessante, o problema é que ao mesmo tempo em que a máquina pode se tornar mais dinâmica, também poderá deixar a gestão distante da população urbana e das comunidades rurais, pois os técnicos possuem uma tendência a criarem relações extremamente frias, ou seja, a coisa poderá se tornar muito mecânica. O ideal é que exista um equilíbrio entre o técnico e o político.
 
Após expor esse cenário, me arrisco a dizer que para o novo secretariado o prefeito Carlos Evandro indicará entre 5 e 6 nomes, Luciano o seu grupo político, entre 4 e 5 nomes, o PT, entre 2 e 3, e a vice-prefeita, Tatiana Duarte, ficará apenas com uma secretaria. É importante frisar que os cálculos variam conforme as possibilidades de criação de novas secretarias conforme o apresentado no programa de governo. Mas, por vias das dúvidas é melhor esperar com paciência até o anuncio oficial após o 25 de dezembro, pois em política tudo pode ser possível, e até o possível pode se tornar impossível.
 
Um forte abraço a todos e até a próxima!
 
Publicado no site Farol de Notícias de Serra Talhada, em 25 de novembro de 2012.

Certidão de óbito de Virgolino Ferreira da Silva, vulgo Lampião


Dentalhes e informações sobre a ECA Digital (Lei Felca)

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