O Prof. Paulo César foi um dos
expositores da Mesa Redonda “Religiosidade Afrodescendente e Etnicidade”, com o
trabalho intitulado “Negros e a construção de templos católicos”. O evento fez parte da I Semana da Consciência
Negra: Identidade e religiosidade afrodescendente na pauta da educação das Relações
Étnico-Raciais, realizada pela Faculdade de Integração do Sertão - FIS,
nos dias 20 e 21 de novembro de 2012.
Blog com informações nas áreas do Direito, História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Politica.
Escreva-se no meu canal
Ver essa foto no InstagramVeja o vídeo completo no link: https://youtu.be/.jBg3SvDNLpc
Uma publicação compartilhada por Paulo César Gomes (@escritor.paulocesargomes) em
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
SERRA TALHADA PRECISA SE REECONTRAR COM SEU PASSADO E ESTUDAR O VERDADEIRO PROCESSO DE ESCRAVIDÃO NO MUNICÍPIO
Autor: Professor Paulo César Gomes - Especialista em História Geral
Com os números acima, pode-se afirmar que o Brasil foi fundado e teve o seu desenvolvimento e a sua economia baseados no trabalho escravo, o que não deixa ninguém orgulhoso, muito pelo contrário. Só no Rio de Janeiro, entre os anos de 1790 e 1830, chegaram 700 mil escravos trazidos por cerca de 1600 navios. Em Salvador, segundo maior importador de escravos, também nessa época, os trabalhadores forçados representavam mais de 40% da população.
Neste dia 20 de novembro, o Movimento Negro reverencia o dia da morte de Zumbi dos Palmares, o líder do maior levante de escravos do país, o Quilombo dos Palmares, que tinha aproximadamente 20 mil negros. Esta data é considerada, pela consciência negra, mais importante que a de 13 de maio, o dia em que a Princesa Isabel, há 114 anos, assinou a Lei Áurea que aboliu a escravatura. Para o movimento a data da abolição é uma “data branca que reflete benevolência dos escravocratas e que busca apagar da memória da população o sofrimento de 3 séculos”.
ANDRADE, Manuel Correia de. A terra e o homem no Nordeste. 2. ed. -. São Paulo: Brasiliense, 1964._____________________. Espaço, Polarização e Desenvolvimento. 5º ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 1987. Atlas Escolar de Pernambuco. Editora Grafset.
Bacias Hidrográficas de Pernambuco. 2006.
Hoje está sendo lembrado em
todo o Brasil, o genocídio e o sofrimento de milhares de negros durante e
depois da abolição na escravatura. O país teve, na sua curta história de 512
anos, 350 anos de regime escravocrata e apenas 114 anos de trabalho. Sendo que
trazidos a força da África 4 milhões de escravos, quase a metade foi importado
para outros países do continente americano.
Com os números acima, pode-se afirmar que o Brasil foi fundado e teve o seu desenvolvimento e a sua economia baseados no trabalho escravo, o que não deixa ninguém orgulhoso, muito pelo contrário. Só no Rio de Janeiro, entre os anos de 1790 e 1830, chegaram 700 mil escravos trazidos por cerca de 1600 navios. Em Salvador, segundo maior importador de escravos, também nessa época, os trabalhadores forçados representavam mais de 40% da população.
Neste dia 20 de novembro, o Movimento Negro reverencia o dia da morte de Zumbi dos Palmares, o líder do maior levante de escravos do país, o Quilombo dos Palmares, que tinha aproximadamente 20 mil negros. Esta data é considerada, pela consciência negra, mais importante que a de 13 de maio, o dia em que a Princesa Isabel, há 114 anos, assinou a Lei Áurea que aboliu a escravatura. Para o movimento a data da abolição é uma “data branca que reflete benevolência dos escravocratas e que busca apagar da memória da população o sofrimento de 3 séculos”.
Já em nosso município a data vem recebendo grande atenção,
muito disso em função da Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003 que
incluiu a data no calendário escolar, tornando obrigatório o ensino sobre
história e cultura afrobrasileira nas escolas. Com isso, os professores devem
preparar aulas sobre história da África e dos africanos; luta dos negros no
Brasil; cultura negra brasileira; e o negro na formação da sociedade nacional.
Porém, quando tentamos buscar
informações sobre a escravidão em Serra Talhada, nada ou quase nada é
encontrado. A única fonte de pesquisa que se tem é o livro do ex-prefeito e
historiador Luiz Lorena, “Serra
Talhada. 250 anos de história. 150 anos de Emancipação política. Serra Talhada:
Sertagráfica,
2001”.
Autor do livro confirma que existiu escravidão na cidade, no entanto ele faz
uma ressalva que “os escravos viviam em regime de liberdade relativa” e “o
trabalho escravo não se revestia da crueldade levada a efeito na zona da
cana-de-açucar”( LORENA, 2001, p.109).
Segundo Luiz Lorena, “diariamente pela manhã, os
escravos ajaezavam os cavalos de fábricas (campeiros), vestiam o seu uniforme
de couro e depois do desjejum com escaldado de cuscuz com leite, demandavam à
caatinga “coruscante e áspera” do semi-árido. Campeavam livremente nos melhores
cavalos do seu senhor. Menor liberdade, tinham os filhos dos latifundiários.
Alem disso, “era mister cuidar bem da cavalaria que devia estar sempre pronta
na hora de segurar a cauda do barbatão. A ordenha das vacas era também
obrigação dos escravos.”
O ex-prefeito ainda acrescentou em seu livro que As
propriedades menores mantinham quase sempre uma ou duas escravas para o serviço
doméstico e na busca de água em barreiros e açudes. Além disso, as cativas se
dedicavam a atividades artesanais como, por exemplo: a fabricação de objetos de
barro, como o pote, panelas, e outros, bordando as roupas das sinhazinhas e no
“serviço de fiação manual de algodão descaroçando a unha para a produção da
matéria prima (fio) destinado à confecção de redes e cobertas, inclusive também
de tangas para vestir escravos” (LORENA, 2001, p. 109).
Mesmo com essas informações ainda fica difícil
traçar um perfil da escravidão na cidade, pois não são dados encontrados nos
cartórios locais o número de negros comprados e vendidos pelos proprietários de
terra, e nem tão pouco, sobre a existência de senzalas, práticas religiosas,
atividades culturais ou de algum local que tenha servido de refúgio. O que sem
de conhecimento são dados referentes a outras cidades, como em Flores, que
possuía único pelourinho da região do Pajeú, e das cidades de Triunfo e
Salgueiro, locais onde se estalaram respectivamente os quilombos de “Livramento”
e “Conceição das Crioulas”.
A construção da Igreja a primeira capela de Nossa
Senhora da Penha, serve atualmente como matriz à paróquia de Nossa Senhora do
Rosário, entre os anos de 1789/1790, é único registro do uso da mão de obra
escrava no desenvolvimento urbanístico de Serra Talhada.
Diante dos fatos, é possível dizer que existe uma
lacuna na história de Serra Talhada, e consequentemente, na história dos negros
na região, e que precisamos preenche lá, pois devemos nos lembrar do que isso
significará para as futuras gerações de serra-talhadense, além do mais,
precisamos nos reencontrar como o nosso verdadeiro passado, sem medo, sem
preconceito, sem rancor, pois só assim construiremos uma sociedade mais justa e
fraterna.
Fontes
Bibliográficas:
ABREU, J. Capistrano de. Caminhos antigos e povoamento do Brasil. São Paulo: Itatiaia, 1989.
ANDRADE, Manuel Correia de. A terra e o homem no Nordeste. 2. ed. -. São Paulo: Brasiliense, 1964._____________________. Espaço, Polarização e Desenvolvimento. 5º ed. São Paulo: Editora Atlas S.A, 1987. Atlas Escolar de Pernambuco. Editora Grafset.
Bacias Hidrográficas de Pernambuco. 2006.
BARBALHO, Nelson. Fundação de
Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco; CENTRO DE ESTUDOS DE
HISTÓRIA MUNICIPAL (RECIFE, PE). Cronologia pernambucana: subsídios para a
história do Agreste e do Sertão. Pernambuco: Fundação de Desenvolvimento
Municipal do Interior de, 1982-1988.16v.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
A discricionariedade do Juiz na dosimetria: faça o teste e aplique “suas” penas!
Gerivaldo Neiva *
Quando o Código Penal estabelece as penas (de tantos a tantos anos) para a prática de determinado crime, abre-se um leque muita grande de interpretações e penas completamente diferentes a depender da concepção do Juiz sobre o caso e suas circunstâncias.
O Ministro Luiz Fux, do STF, disse certa vez: “Como magistrado, primeiro procuro ver qual é a solução justa. E depois, procuro uma roupagem jurídica para essa solução.” (http://www.direitouerj.org.br/2005/fdir70/depLF.htm)
Exatamente por conta dessa forma de entender a decisão judicial, Warat dizia jocosamente que “a fonte do Direito são as sogras do Juiz”. Com isso, Warat queria dizer que o Juiz decide de acordo com sua concepção pessoal e da concepção das pessoas que compõe seu ambiente familiar. Em outras palavras, o Juiz primeiro decide de acordo com as impressões de sua sogra na mesa do jantar e depois busca a“roupagem jurídica” defendida por Luiz Fux.
No Brasil, há muito tempo o Lenio Streck vem criticando esta postura:
“E quanto à cabeça do juiz? Bem, com uma teoria da decisão, deveríamos ter uma previsibilidade acerca do que será decidido. Afinal, o Direito compõe-se de uma estrutura discursiva, composta de doutrina e jurisprudência, a partir da qual é possível sempre fazer uma reconstrução da historia institucional, extraindo daí aquilo que chamo de DNA do Direito (e do caso). Isso quer dizer que sentença não vem de sentire; sentença não é uma escolha do juiz; sentença é decisão (de-cisão). Há uma responsabilidade política dos juízes e tribunais, representada pelo dever (has a duty) de accountability (hermenêutica) em obediência ao artigo 93, inciso IX, da CF. Portanto, a sentença ou acórdão não deve ser, em uma democracia, produto da vontade individual, do sentimento pessoal do decisor.” http://www.conjur.com.br/2012-mai-17/senso-incomum-quanto-vale-narcisismo-judicial-centavo?pagina=3
Conclui-se, portanto, diferente do que o STF está deixando transparecer para a opinião pública, que a dosimetria das penas não depende das sogras ou do humor dos senhores ministros.
Por fim, segue abaixo um breve resumo dos crimes e das penas do ex-ministro José Dirceu. Independentemente do julgamento do STF ou se restaram provados ou não os crimes, exerça sua discricionariedade e estabeleça as “suas”penas para o réu. Se possível, deixe de lado sua preferência política, seu ódio ou amor pelo PT, a história do réu (de ex-preso político a ministro de Estado) e, sem rancor, aplique as penas considerando que o réu já foi declarado culpado.
Vamos lá!
I - Os crimes de José Dirceu no Código Penal (formação de quadrilha corrupção ativa de forma continuada).
a) Quadrilha ou bando
Art. 288 - Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes:
Pena - reclusão, de um a três anos.
b) Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa
c) Crime continuado
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.
II - As Penas impostas pelo STF
a) Formação de quadrilha – 2 anos e 11 meses
b) Corrupção ativa – 7 anos e 11 meses
c) Continuidade – aumentou em 2/3
d) Total da condenação – 10 anos e 10 meses.
III – A sua dosimetria devidamente fundamentada:
a) Quadrilha (de 1 a 3 anos no Código Penal): .....
b) Corrupção (de 2 a 12 no Código Penal): .....
c) Continuidade (1/6 a 2/3 no Código Penal): .....
d) Total da condenação: .....
* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e do Law Enforcement Against Prohibition (Leap).
Fonte: http://www.gerivaldoneiva.com/
domingo, 18 de novembro de 2012
Seca… qual o legado positivo que deixaremos para as futuras gerações?
Paulo César Gomes é professor com especialidade em História Geral
As imagens produzidas por essa que é considerada a maior seca dos últimos 50 anos tem chocado a opinião pública em diversos cantos do Brasil. São imagens fortes de centenas de animais mortos, açudes secos e com o solo rachado, mulheres e crianças carregando água em latas, baldes e potes de barro. Homens queimando cactos para alimentar o que ainda resta do rebanho, enfim, um cenário de desolação e de barbárie, aonde vários seres, racionais e irracionais, são expostos ao que há de mais desumano na face da Terra.
Contrastando com essa catástrofe natural, e porque não dizer política, temos um outro Brasil, o que vive a contagem regressiva para a realização de um dos maiores eventos esportivo do mundo, a Copa do Mundo de 2014. Para esse evento o país está gastando bilhões de reais na construção de novos estádios, rodovias e anéis viários e ampliação de aeroportos, sem falar do incentivo generoso ao setor hoteleiro. Segundo a presidenta Dilma Rousseff (PT), e no nosso caso, o governador Eduardo Campos (PSB), a realização da Copa do Mundo vai deixar um legado de desenvolvimento econômico e social tanto para o Brasil, como também para Pernambuco.
Partindo desse raciocínio, é possível dizer que a seca não deixa para o nordeste um legado de desenvolvimento econômico e social. Estaria a resposta para a falta de iniciativas que busquem amenizar os problemas causados a cada grande seca? Claro que sim! Seca gera despesas para a União e um retrocesso econômico para a região, porém, para alguns políticos é a grande “tábua de salvação”, ou seja, quanto pior para o povo, melhor para eles. Imagine que o político que consegue, via órgãos públicos, a construção de um poço artesiano ou de açude em uma comunidade carente da zona rural, passa a ser automaticamente o dono dos votos daquela área. Isso é o que nós conhecemos como a “indústria da seca”, uma indústria que não cria nem empregos e nem gera renda, mas que acaba atraindo muitos votos para a classe política.
Um exemplo bem claro é o que estamos vendo nos últimos dias. O deputado Inocêncio Oliveira (PR) já declarou que é o “pai” da obra do Açude de Serrinha, e o deputado estadual Augusto César (PTB) também se manifestou como sendo o “pai” da Adutora do Pajeu. Sendo assim, fica claro que para alguns existe um lado bom na seca, pois permite que os oportunistas de plantão construam palanques políticos em cima questões que são para atender a necessidade da população.
Na verdade caro (a) leitor (a), a seca realmente é um sinônimo de atraso na economia do nordeste, bem como também possibilita aos políticos a aquisição de votos em troca de obras que ajudam a amenizar os efeitos da estiagem. Isso só ocorre porque estamos passando por um momento no qual a sociedade brasileira opta pelo comodismo. Há tempos atrás, mesmo que piores, a população se manifestava como mais veemência, e se preciso fosse, ia pra rua manifestar sua opinião. Hoje, os protestos ocorrem através do mundo virtual (facebook, twitter), porém é bom lembrar que a seca é fenômeno real, assim como as próximas que virão.
Por isso deveriam aproveitar a oportunidade e realizar um grande movimento popular exigindo das autoridades governamentais e políticas o término das obras, em caráter de urgência, de açudes, de adutoras e da transposição das águas do Rio São Francisco. Além disso, a criação de um Programa Nacional de Combate a Estiagem no Nordeste Brasileiro. Se agíssemos assim, com certeza iríamos deixar para as futuras gerações de sertanejos um legado positivo dessa grande seca, o que possibilitaria a decretação do fim da “indústria da seca” e diminuição gradativa de imagens tristes como as que estamos vendo nos últimos meses.
Um forte abraço a todos e até a próxima!
Publicado no site Farol de Notícias de Serra Talhada em 18 de novembro de 2012.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O nosso blog chegou a impressionante marca de 25.137 visitas
O nosso BLOG chegou à expressiva marca de mais
25.137 acessos, um número impressionante.
Aproveito o momento para agradecer a todos àqueles que diariamente, desde 16 de abril de 2009, visitam o nosso BLOG. Segundo o relatório de visitas dos últimos noves meses fornecido pelo site conta gotas, a nossa página virtual foi visitada por um média de mais de 510 por mês.
Aproveito o momento para agradecer a todos àqueles que diariamente, desde 16 de abril de 2009, visitam o nosso BLOG. Segundo o relatório de visitas dos últimos noves meses fornecido pelo site conta gotas, a nossa página virtual foi visitada por um média de mais de 510 por mês.
A
todos os amigos e parceiros internautas um forte abraço!
Prof.
Paulo Cesar Gomes
Data
|
Visitantes
|
10/2012
|
557
|
09/2012
|
496
|
08/2012
|
603
|
07/2012
|
430
|
06/2012
|
677
|
05/2012
|
678
|
04/2012
|
566
|
03/2012
|
424
|
02/2012
|
164
|
Parte inferior do
formulário
O fim melancólico do Cangaço
Autor: Professor Paulo César Gomes - Especialista em História Geral
Nos quase vinte anos de
cangaço, através dos sertões esquecidos, Virgolino Ferreira da Silva revelou
todas as qualidades do homem que poderia ter sido útil e todos os instintos
perversos, que somente em irracionais poderiam ser compreendidos.
Mesmo diante de muitas
adversidades Lampião conseguia junto com seu bando se sobressair, combateram em
vários estados nordestinos.
“Virgolino
Ferreira , o rei do cangaço, o interventor do sertão, o chefe supremo dos fora
- da - lei, o cabra invencível, de corpo fechado, conhecedor de orações fortes,
vitorioso em tantos confrontos, Virgolino Ferreira, o Capitão Lampião, não pode
morrer” (HOLANDA , 1974, p. 25)
Após anos e anos,
fulgido e enfrentado com êxito, o fim de Lampião estava próximo. Foi vitima de
uma traição, por justamente aqueles que durantes anos foram um dos seus grandes
trunfo “os coiteiros”.
Na madrugada de quinta-feira,
28 de julho de 19387 na gruta de Angico, no estado do Sergipe, Lampião viveu
sua última batalha, o maior cangaceiro da história morreu se da um tiro, junto
com ele morreram Maria Bonita e mais nove cangaceiros. Suas cabeças foram
cortadas e expostas na calçada da igreja da cidade de Piranhas - AL.
Lampião estava fora de
cena, mas o herói não morre. Ele deixou a vida e entrou para história como
mito, uma lenda indecifrável envolta em mistério. O
cangaço estava extinto!
A derrota de Lampião em Mossoró
Autor: Professor Paulo César Gomes - Especialista em História Geral
Uma festa de arromba
promovida pelo Humaytá Futebol Clube fazia ferver a sociedade de Mossoró
naquela noite do dia 12 de junho de 1927, véspera do dia de Santo Antônio. Foi
quando começou a correr a notícia de que Virgolino Ferreira, o temido
cangaceiro Lampião, se aproximava da cidade. Horas antes, ele e seu bando
haviam atacado a vizinha vila de São Sebastião (atual município de Governador
Dix-Sept Rosado).
Em poucos momentos, todo
o rigor daquele baile – que exigia branco para os cavalheiros
e azul e branco para as damas – amarfanhou-se e perdeu graça,
abalando o momento de glamour ostentado pela elite do sertão.
Mossoró era uma das mais
prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo Fernandes, o
prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do “rei
do cangaço” ao município. A maioria dos
habitantes, no entanto, parecia não acreditar. Tudo estava tão tranqüilo que,
no mesmo dia 12 de junho, Mossoró parecia mais preocupada com o clássico entre
os times de futebol do Ipiranga e Humaytá do que com a possível chegada de
Lampião às suas cercanias.
A partida de futebol
transcorreu dentro da mais absoluta rotina. Já o baile, por mais que alguns
participantes e os diretores do clube tentassem abafar as notícias vindas da
vila de São Sebastião, foi tomado pelo alvoroço e pelo medo. “O
apito da locomotiva da rede ferroviária suplantava o pânico dos mossoroenses”,
narra o jornalista Lauro da Escóssia, testemunha do acontecimento, no livro
Memórias de um Jornalista de Província. “Os trens
começavam a se movimentar, conduzindo famílias e quantos quisessem fugir de
Mossoró.” Segundo ele, durante toda a noite e
na manhã seguinte, a ferrovia permaneceu ininterruptamente agitada.
Na vila de São
Sebastião, conforme as notícias que desmancharam o baile do clube Humaytá,
Lampião haviam incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a
estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo –
uma modernidade sempre combatida pelo chamado “rei do cangaço”,
na tentativa de impedir que o seu paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a
polícia a persegui-lo.
Até as primeiras horas
da manhã do dia 13, muita gente havia deixado suas casas em Mossoró, que à
época tinha cerca de 20 mil habitantes. O temor ao famoso cangaceiro não era
brincadeira. Duas mulheres em pleno serviço de parto, conta Escóssia, foram
retiradas em macas para a cidade de Areia Branca, a quilômetros dali.
Mas o esvaziamento não
era só fruto do pânico. A estratégia da prefeitura –
que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição mas não em combatentes –
era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Quanto mais
vazio o lugar, na avaliação do coronel Rodolfo Fernandes, maior a chance de repelir
o bando de cangaceiros.
Fazia tempo que Lampião
planejava encarar o desafio de invadir Mossoró. Seria a maior tentativa de
rapinagem do bando, como conta o historiador Frederico Pernambucano de Mello no
seu livro Guerreiros do Sol – no qual defende a tese de que o
cangaço era um meio de vida.
Pouco antes de chegar à
cidade, Lampião enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a
quantia de 400 contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos
dez vezes superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de
13 de junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos
arredores do município potiguar.
Sem resposta ao primeiro
comunicado, Lampião, já impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso.
Os termos do bilhete, que consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos
mais antigos do país, com 133 anos de circulação), eram muito diretos e
recheados de erros de português:
“Cel. Rodopho, estando
eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Sinhoris,
si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu
envito (evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate
ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o
drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo”.
Ele assinava “Cap.
Lampião”.
O coronel Rodolfo
Fernandes e seus homens disseram não a Virgolino, para surpresa do mais temido
cangaceiro de todos os tempos. A cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito.
Mas Lampião teria que entrar para apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía
uma chuvinha fina e havia uma neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os
primeiros estampidos de bala ecoaram.
Lampião tinha 53
cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo menos
150 homens armados na defesa da cidade. O repórter Lauro da Escóssia estava lá,
vendo tudo de perto. “Durante toda a noite, a detonação de
armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada”,
escreveu em O Mossoroense. Mas as
mulheres rezavam para outro santo junino, o Antônio festejado naquele dia.
No ataque, Lampião
perdeu importantes cabras de seu bando. Colchete teve parte do crânio
esfacelado por balas. E Jararaca, depois de capturado, foi praticamente
enterrado vivo.
Em menos de uma hora
após o início da luta, o capitão do sertão – outra das
alcunhas dadas ao célebre cangaceiro – sentiu que
dominar a cidade seria praticamente impossível. Ordenou então a retirada da
tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua
reputação. “A partir desse momento a estrela do
bando lentamente passaria a brilhar cada vez menos”,
escreveu o historiador Pernambucano de Mello.
Assinar:
Postagens (Atom)
Dentalhes e informações sobre a ECA Digital (Lei Felca)
Fonte: Brasil Escola O ECA Digital (Lei Felca) entrou em vigor em 17 de março de 2026 com o objetivo de ampliar a proteção das crianças e ...
-
Flores, Pajeú, ou Pajeú de Flores como se dizia antigamente, fica na zona outrora denominada Sertão do Rodelas , capitania do rio S. Fran...
-
Modelo 1: ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA JUNTA ADMINISTRATIVA DE RECURSOS DE INFRAÇÕES DO ESTADO DE [XXXXXX] - DETRAN/XX Auto de In...
-
QUESTÕES DISSERTATIVAS DE SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA QUESTÃO 1 : João fez um testamento para deixar um dos seus 10 imóveis para seu gra...


