Escreva-se no meu canal

Instagram

Ver essa foto no Instagram

Veja o vídeo completo no link: https://youtu.be/.jBg3SvDNLpc

Uma publicação compartilhada por Paulo César Gomes (@escritor.paulocesargomes) em

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Relatos da escravidão em Serra Talhada e a venda da negra Branda





Por Paulo César Gomes, professor, escritor e pesquisador da história serra-talhadense


Poucos registros sobre a escravidão negra são encontrados na literatura pajeuzeira, muito se deve ao desinteresse dos pesquisadores pelo assunto ou pelo sigilo com as quais as fontes de pesquisas são “guardadas”. A maioria dos documentos sobre compra e venda de escravos no Sertão do Pajeú encontram-se sobre a proteção da Igreja Católica, mas precisamente na paróquia da cidade de Flores e na Diocese de Afogados da Ingazeira.

Todos os documentos que envolvem a escravidão no Brasil e em todo continente americano já deveriam estar disponíveis ao público, visto que o período foi tão horrendo quanto o Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial, e que por essa razão já deveria ser conhecido por toda a humanidade. A escravidão negra precisa ser estudada e, principalmente, repudiada para sempre.

No que se refere a nossa região, é preciso primeiro rever a ideia pregada por alguns escritores de que a escravidão não ocorreu com a violência da Zona da Mata. Para derrubar este teoria sem fundamento é preciso primeiro estudar alguns casos. O primeiro é a venda escrava Branda, um dos únicos registros sobre comércio escravista e que está publicado no livro ‘Caminhos do Homem’, escrito pelo ex-prefeito Luiz Lorena.

A negociata envolvendo a negra, que tinha mais de 18 anos e era solteira, ocorreu em 1876, e foi registrado em uma escritura pública no Cartório do tabelião Joaquim José dos Nascimento Wanderley, na Comarca de Flores. Branda pertencia a Antonio Xavier de Souza e foi comprada por José Lira Chaves Pessoa. O comprador pagou quinhentos mil réis.

Toda a transação foi registrada no livro contábil do Coletor, o capitão Benedicto Hortêncio de Siqueira Campos. Chama atenção no pequeno registro histórico a informação sobre os números que identificava a escrava, que possuía o número das ordens de relação, 356; número de ordem na matrícula, 172; e o a matricula no município era um.

Outro fato que chama bastante atenção é um dos trechos da transcrição da escritura pública: “e que desde já poderá o comprador tomar posse da dita escrava, como sua que é e fica sendo de hoje em diante, pois aí lhe transferi todo o poder, jus e domínio que nela tinha” (Lorena, p.188).

O caso de Branda é só mais uma evidencia de que escravidão em Serra Talhada em todo o Pajeú foi praticada com todos os requintes de crueldade vistos nos grandes centros do país. Não é a toa que em Flores existia um Pelourinho, e em Serra Talhada foram construídas várias senzalas. E erguida, com o uso da mão de obra escrava, uma das únicas Igrejas do Rosários dos Pretos do interior do Nordeste.


Ilustração reproduzida do livro de Luiz Lorena "Caminhos do Homem"

quarta-feira, 12 de abril de 2017

OPINIÃO: Cultura e arte poderiam resolver os problemas da Concha, em Serra Talhada

Por Paulo César Gomes, professor, escritor e pesquisador da história serra-talhadense 

A Concha Acústica, oficialmente praça Governador Agamenon Magalhães e o Marco Zero da cidade, é para mim como historiador e pesquisador, o local mais bucólico e nostálgico de Serra Talhada. É onde o presente e o passado se encontram, nos remetendo a uma Serra Talhada que já não existe mais, apesar de que são memórias que precisam ser preservadas.

Essa mesma Concha de lembranças históricas, é também o único espaço de lazer de quem mora ou frequenta o centro da cidade. Além disso, o local é também um espaço onde as tendências culturais atuais se expressam, o que não é de hoje. Haja visto que os movimentos culturais e musicais surgidos nos anos de 1980, tinham no espaço da Concha a sua principal vitrine.

Movimentos como Coletivo Fuáh, EBasta! e o Festival Cantando na Concha são exemplos de que atividades culturais que se organizam e se expressam no Marco Zero, do ponto onde tudo começou. Fora isso, vários recitais de poesia, lançamentos de livros (eu já tive o prazer de lançar quatro livros no calçadão da Igreja do Rosário) e shows de bandas de rock, pop rock, MPB, cantoria de viola e repente também são realizados. Então, podemos dizer que a Concha é muito mais do que se ver o do que se pensa.

ABANDONO E REPRESSÃO

Porém, o abandono e o descaso com é tratada, a falta de organização leva o local a se tornar um “território livre”. Onde é possível se fazer tudo. Muitas coisas poderiam ser evitadas se houvesse pelo menos um guarda municipal ou quem sabe se já tivessem sido instaladas as benditas câmaras de segurança.

Na verdade, a repressão aos usuários de drogas também funciona como uma cortina de fumaça criada para de certa forma se tirar a responsabilidade das autoridades competentes em promover a cultura, o lazer e assistência social para as crianças, jovens e adultos que estão se perdendo em meio “a vida louca”. Se faz necessário que o Conselho Tutelar e Ministério Público se posicionem sobre o assunto.

É lógico que não devemos esquecer que as abordagens polícias são primordiais na prevenção e na garantia da segurança e no bem estar da população. No entanto, não se deve é criminalizar e rotular os frequentadores da Concha, pois muito do que se faz lá talvez não seja diferente do que se faz na Praça Sérgio Magalhães, ou em áreas nobres da cidade.

Talvez a origem e a condição social das pessoas pesem na hora de falar do assunto. Porém, é preciso colocar o dedo na ferida. A excessiva repressão policial só vai afastar os jovens do local, assim como aconteceu na Ponte da Caxixola, na Estação do Forró e na Academia da Cidade no Ipsep. Em breve um novo espaço alternativo surgirá para que os usuários possam se reunir, e onde certamente algum traficante irá faturar muito dinheiro em cima do vício e a dependência de alguém.

O ideal que a discussão sobre o consumo de álcool e de drogas seja visto sem tabus, preconceito e intolerância. A receita para o problema da Concha é simples: um ambiente útil sendo usado por mentes cheias de ideias produtivas. Certamente a partir dessa combinação iremos vivenciar novos tempos. Por isso, eu acho que a juventude excluída de Serra Talhada deferia fazer é ocupar a Concha com muita música, poesia, pintura, dança. Ocupar com cultura e arte. Essa é uma das melhoras formas de se viver um grande “barato”!

domingo, 9 de abril de 2017

VIAGEM AO PASSADO: A ‘Rua 15’, em Serra Talhada, já foi ‘Rua do Cisco’

Por Paulo César Gomes


A foto acima é da tradicional Rua 15 de Novembro, que oficialmente é denominada de Rua Enock Ignácio de Oliveira, em Serra Talhada. A mudança de nome ocorreu na década de 1990, através de Lei Municipal aprovada pela Câmara de Vereadores. Na época houve resistência dos comerciantes, isso porque tiveram que mudar as suas inscrições municipais, e também da população, que não foi consultada sobre o asunto, e por essa razão ainda hoje a via é chamada de “Rua 15”.

O registro fotográfico foi realizado no final dos anos 50, quando a rua ainda mantinha características meramente habitacional, quase 70 anos depois, o local é uma das mais movimentadas áreas comerciais do interior do nordeste.

Nela pode se encontrar de tudo um pouco, de funerária a loja de sapatos, passando por bares e bancos. Na rua também fica o mercado publico, a feira livre, a Câmara de Vereadores e a lateral da Prefeitura Municipal de Serra Talhada. O interessante é que a rua mais importante da cidade já foi chamado no inicio do século XX, de Rua do Cisco, local onde se jogava o lixo da cidade.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Série de reportagens de autoria de Paulo César Gomes e Alejandro J. García vai se transformar em livro

Por Manu Silva, do Farol de Noticias

Foto de Alejandro J. García / Arte de Felipe Santos 






Fotos: Farol de Notícias / Alejandro J. García

A Assembleia Legislativa de Pernambuco, através da iniciativa do deputado estadual Augusto César (PTB), acaba de aprovar a publicação de um  livro com base no projeto “Profissões Esquecidas”, de autoria de Paulo César Gomes e de Alejandro García. A obra terá como base uma série de textos postados em forma de reportagens semanais aqui no Farol de Notícias, no ano de 2016.
“Um dos nossos objetivos é incentivar a produção literária do nosso Sertão, por isso, estamos sempre abertos para apoiar projetos inovadores e que mostram a cara da nossa gente, assim como esse projeto de Paulo e de Alejandro”, comentou o deputado Augusto César.

Para o argentino de alma e coração sertanejo, Alejandro J. García, ter as suas fotos em mais uma publicação é motivo de orgulho, principalmente por se tratar de um trabalho que busca valorizar as pessoas mais simples que buscam viver de forma honesta e digna. “Gosto de ver a essência das pessoas através das minhas fotos, e esse trabalho tem isso. Tem muita verdade e dignidade”, disse o repórter fotográfico.

Para Paulo César Gomes a publicação desse projeto é mais uma conquista, já que o apoio aos escritores locais, segundo ele, “anda a passos de tartaruga”, mesmo remando contra a maré, o escritor destaca o significado de se ter um livro impresso onde os personagens principais são pessoas simples e batalhadoras.



“Durante mais de 10 meses tive o prazer de, ao lado de Alejandro, conhecer um pouco da vida de pessoas que buscam sobreviver de forma honesta, que buscam construir os seus sonhos através do trabalho, mesmo que esse trabalho os façam enfrentar jornadas desumanas e ganhado salários irrisórios”, refletiu o escritor, acrescentando:

“Esperamos que este livro possa ajudar as pessoas a refletirem sobre o verdadeiro significado de se viver do trabalho e da importância dos valores que norteiam ‘os homens e mulheres invisíveis’ para a sociedade capitalista”, concluiu Gomes.


Fotos do projeto "Profissões Esquecidas


Paulo César Gomes, Augusto César, Alexandro García e Giovanni Sá, durante o lançamento do livro Histórias Perdidas em dezembro de 2015


sábado, 1 de abril de 2017

Dicas de infrações disciplinares - Exame da OAB

A censura, a suspensão, a exclusão e a multa são tipos de sanções disciplinares. As sanções devem constar nos assentamentos do inscrito após o trânsito em julgado da decisão. Vale ressaltar que a de censura não pode ser objeto de publicidade. Lembre-se: a censura pode ser convertida em advertência, em ofício reservado, sem registro nos assentamentos do inscrito, quando presente circunstância atenuante.

São consideradas circunstâncias atenuantes:
  • Falta cometida na defesa de prerrogativa profissional;
  • Ausência de punição disciplinar anterior;
  • Exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo em qualquer órgão da OAB;
  • Prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública.

Os antecedentes profissionais do inscrito, as atenuantes, o grau de culpa por ele revelada, as circunstâncias e as consequências da infração são consideradas para o fim de decidir sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra sanção disciplinar, e sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicáveis.

Fonte: Gran Cursos - Professora Daniela Menezes

Dentalhes e informações sobre a ECA Digital (Lei Felca)

  Fonte: Brasil Escola O ECA Digital (Lei Felca) entrou em vigor em 17 de março de 2026 com o objetivo de ampliar a proteção das crianças e ...