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Veja o vídeo completo no link: https://youtu.be/.jBg3SvDNLpc

Uma publicação compartilhada por Paulo César Gomes (@escritor.paulocesargomes) em

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O resultado do Plebiscito para a instalação da estatua de Lampião em Serra Talhada, em 1991, e a reportagem da revista Veja sobre o assunto

O Plebiscito da estátua!
Reportagem da Revista Veja - 28 Graus, de julho 1991. (Clique nas imagens para ampliar e obter condição para leitura)








Algumas considerações sobre o pleito em 1991:

1º) Seguiu as regras traçadas pela Justiça Eleitoral de Serra Talhada/PE, sendo fiscalizado pelo Juiz de Direito e pelo Promotor de Justiça;

2º) No encerramento da apuração ( 07/set/1991), a contagem mostrou o seguinte resultado:

De um total de 2.289 votantes, 76 % acolheram o "SIM", 22 % disseram "NÃO" e 0,8 % anularam a escolha. A opção "SIM" obteve maioria em todas as secções apuradas.
3º) Por questões políticas/financeiras a polêmica Estátua de Lampião nunca foi construída.

OBS: Fonte de consulta - " Gota de sangue num mar de Lama " de Gutemberg Costa.

Panfleto oficial.

Fotos: Roberto (comunidade do Orkut: Lampião, Grande Rei do Cangaço).
Fonte: Blog Lampião Aceso

Texto: Ivanildo Silveira

Globo Repórter: O escândalo da mandioca (31/01/1982) - Imagens de Serra Talhada no início de 80

domingo, 15 de abril de 2012

Banda D’Gritos parte II, a musicalidade que marcou

                                   (Apresentação no palco do Cine Art, em Serra Talhada)

Ao contrário do que acontece com a maioria dos grupos musicais, a banda D. Gritos começou sem quer ninguém soubesse tocar nenhum instrumento. Mas, mesmo diante da falta de conhecimento, Camilo Melo e Ricardo Rocha, desafiaram a lógica e se aventuraram pelo mundo da música.

Em meados da década de 80, as rodas de violão em Serra Talhada aconteciam na Praça Sergio Magalhães (banco da divá), na Concha Acústica e em frente a Escola Irmã Elizabeth. Nesses locais era comum a presença de Dema, João Grudi e Zé Orlando, ainda moleques, Camilo Melo e Ricardo Rocha, já participavam desses movimentos. Infleenciados por esse cenário musical alternativo Camilo começou aprendeu a tocar violão e aproveitou para ensinar a Ricardo os primeiros acordes.

Nesse período Camilo cômpos a música “Escravo de Ninguém (Porra)”, que começou a ser tocada por ele e Ricardo em festas de aniversários e em apresentações em escolas. Essas apresentações rederam a dupla o apoio e a presença de amigos e admiradores que já começavam a cantar as músicas do repertório. Outro integrante da banda que entrou sem saber tocar foi Jorge Stanley, que teve que improvisar uma bateria pra poder aprender. Ele estudou muito, eram mais de 6 hoaras diarias tocando e sempre ouvindo som produzido pelo baterista Neil Peart da banda Rush. Logo ele já estava tocando em pé e de costas e também cantando, além dessas vertentes artísticas, ele foi peça fundamental em vários arranjos da banda.

Outros músicos, mesmo que de forma passageira, também contribuíram de forma decisiva para a musicalidade e o sucesso da banda ao longo dos anos, entre eles podemos citar: Cleóbulo Ignácio (Binga) e Paulo Rastafári (vocal), Jairo Ferreira, Doda, Toinho Harmonia, César Rasec, Derivan Calado e Elton Mourato (baixo, guitarra solo e base), Girleno Sá (violão e guitarra) e Nilsinho (percussão).

A Banda D.Gritos foi muito influenciada por grupos nacionais como os Paralamas do Sucesso, Titãs, RPM, Biquíni Cavadão, e a nível internacional por bandas como Pink Floid e Smith, e regionalmente por Alceu Valença, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, mais a grande referência foi a maior banda de Rock de todos os tempos, os The Beatles. Um fato interessante era que Ricardo Rocha era fã de carteirinha de Michel Jackson, chegando a ganhar um concurso de imitação do rei do pop.

Mesmo com todas essas referências, o trabalho do D. Gritos é único, ele é singular, pois não existe nenhuma semelhança musical com qualquer outra banda ou cantor. A maioria das músicas são composições de Camilo e outras e parceria com Ricardo, mas há também músicas solos inéditas de Ricardo e também em algumas em parceria com Jorge Stanley.

Entre as músicas gravadas como: “Escravos de Ninguém (Porra)”, “Barriga de Rei”, “Grilos”, “Quando Será Minha Vez”, “Medo da Verdade” possuem um forte conteúdo político e social. Já “Loucos (Mayra)”, “Eu Sei”, “Romance Entre Abelhas” e “Coisas de Palhaços” são reflexos dos conflitos sentimentais e amorosos dos integrantes do grupo, uma pequena amostra do da versatilidade e criatividade dos músicos.

Há duas músicas em especial que mostram o potencial de Camilo e Ricardo em reproduzir o sentimento momentâneo e a transcrição de um projeto de vida. São elas: “Fogão de Lenha” e “Navegantes”. “Fogão de Lenha” foi uma resposta a uma pergunta preconceituosa, e de certa forma racistas, feita por um repórter do Diário de Pernambuco aos roqueiros pajeuzeiros e a outra “Navegante”, um resumo dos desafios, das dúvidas, das certezas e incertezas, dos sonhos e das batalhas vividas ao longo de oito anos de existência da banda.

*Paulo César é professor especialista em História Geral

terça-feira, 10 de abril de 2012

Textos de autoria do Prof. Paulo César para o Jornal Desafio em 2002, entre eles destaca-se o sobre a morte do ex-Prefeito Tião Oliveira


D. Gritos, 27 anos de um sonho que terminou em tragédia

Paulo Cesar

Navegantes (Camilo Melo/Ricardo Rocha)

Nós mudamos a dimensão daquilo que restou
Da lembrança de um lírio que brilhou
Pra dar ao verde o verde que se acabou
E pelo homem que foi e não voltou
E por nós mesmos, quando ninguém chorou.
E o eco gritado de uma voz
A razão torturada por todos nós
Aqui a esperar.

Se navegamos tanto sem parar
Não é motivo pra desistir
Ficar aqui e não lutar
Se nós lutamos tanto sem ganhar
Não é motivo pra desistir
Esse é um jogo que não pode parar.

E nós chegamos a desvendar todo o mistério
De uma batalha que ninguém vai ganhar
E de uma árvore que nunca vão derrubar.
E se o negro das idéias nos caçar
Nos desculpem mas não vamos nos calar.

E o eco gritado de uma voz
A razão torturada por todos nós
Aqui a esperar.

Se navegamos tanto sem parar
Não é motivo pra desistir
Ficar aqui e não lutar
Se nós lutamos tanto sem ganhar
Não é motivo pra desistir
Esse é um jogo que não pode parar.
D'Gritos em sua terceira formação

Há 27 anos surgiu em Serra Talhada um grupo que revolucionou o cenário musical do interior de Pernambuco e do Nordeste, era a banda D. Gritos, formada por jovens serratalhadenses, eles quebram tabus e superam preconceitos culturais e sociais que predominavam na época. Com letras fortes e autênticas eles conquistaram a juventude da época.

Foram três discos gravados, sendo que apenas um foi lançado, Barriga de Rei, os outros foram Traumas e Navegantes. Mesmo sem apoio financeiro, a banda D.Gritos conseguiu vencer o Festival de Música Popular em Salgueiro, realizar shows em varias cidades de Pernambuco, Paraíba, Ceará e outros estados do Nordeste.

O sucesso obtido com músicas como “Escravos de Ninguém (Porra)”, “Loucos (Mayra)” e “Barriga de Rei” proporcionou ao grupo apresentações em emissoras de TV em Recife-PE e em Campina Grande-PB, além de matérias em jornais de grande circulação como o Diário de Pernambuco.

Os D. Gritos conseguiram ao longo do tempo escrever uma história muito peculiar, algo intenso e marcante, tanto no contexto musical regional, onde há uma preferência pelo forró, como pelas atitudes e as letras extremamente politizadas de Camilo Melo e Ricardo Rocha. Eles cantavam em alto bom tom: “Deixe o trem passar. Não arranquem os trilhos”(Grilos), era uma forma de expressar a vontade em conseguir o almejado reconhecimento e o sucesso a nível nacional.

A banda liderada por Camilo Melo, Ricardo Rocha, Jorge Stanley e que contou com a participação de outros integrantes como Cleóbulo Ignácio (Binga), Jairo Ferreira, Doda, Noreoba, Toinho Harmonia, Paulo Rastafári, Nilsinho, Gisleno Sá, César Rasec, Derivan Calado e Elton Mourato, construiu em pouco mais de oito anos um legando musical inigualável, uma história para ser registrada e nunca mais esquecida!

Um dos grandes destaques da banda foi à parceira musical de Camilo e Ricardo, juntos compuseram várias músicas de sucesso, sendo que a última, “Homem Pó”, foi um prenúncio da fatalidade que marcou a história do grupo.

Homem Pó (Camilo Melo/Ricardo Rocha)


Sentado estava o homem
Pensando e observando ao seu redor
Viu que havia medo
E as pessoas e seus segredos
Não estavam sós.

E procurava...
Mesmo com as armadilhas sob o pó.

Pó que cobre a terra
Terra que engole homens
Homens que se matam sem dó.

Vidas que nasciam
Vidas que morriam
Vidas que apenas se escondiam.

Veja seus filhos
Que criarão os seus filhos
Filhos de um homem que morre
Veja seus netos
Que criarão os seus netos
Netos de um homem que morre.

Em pé ficou o homem
Lembrou que há vários dias estava ali
Lembrou de seus três filhos em casa esperando
Pelo pai, homem sentado, que morre.

Correu desesperado
Não sabia onde morava
O nome de seus três filhos esqueceu.

E quase maluco
Em seus últimos minutos
Olhou pra terra e viu que era pó.

Veja seus filhos
Veja seus netos.

A música é inédita mais pode ser encontrada na internet: http://palcomp3.com/camilomelo/#!/homem-po



Trajetória interrompida

A trajetória de sucesso da banda foi interrompida de forma trágica em 29 de agosto de 1993, quando realizavam o show de abertura da Festa de Setembro e de forma inesperada veio a falecer Ricardo Rocha com apenas vinte e três anos. A melhor narração dos fatos ocorridos naquela noite foi feita por Giovanni Sá, de forma poética e emocionada ele escreveu:

“O show transcorria na mais profunda relação de amor com o público. Já se passava um pouco mais da meia-noite, depois de dedicar uma canção carinhosa a um amigo que partira sem retorno, ao som da canção NAVEGANTES, “o menino maluquinho” caía no palco pra não mais se levantar e decretava ali a sua IMORTALIDADE. O companheiro Ricardo Rocha, tombava sob a luz dos holofotes coloridos e os aplausos de um público apaixonado, no meio dos seus companheiros inseparados. A BANDA D’GRITOS emudecia atônica, era difícil acreditar. A vida que levava sempre era cheia de desafios, afinal, ser músico em Serra Talhada nunca foi fácil.

Aquela madrugada será inesquecivel, por ser perfeita e tão belo, aquele show, alguem assistia ao show do “menino maluquinho”. Tamanha beleza e alegria tinham que ser divididas entre os mortais e as estrelas, que com certeza, acabaram de receber mais uma nessa imensa cosntelação de estrelas.” (Trechos do TRIBUTO AO COMPANHEIRO “Crônica do Show Anuciado”, Jornal Desafio, setembro de 1993).

Com a morte de Ricardo chegou ao fim os D.Gritos, a maior banda de rock pop do interior pernambucano, era o fim de um sonho de jovens sertanejos que encontraram na música uma forma de se expressar, demosntrando as suas revoltas, suas frutações e ilusões. Porém musical da banda venceu o tempo, e uma prova disso é que elas continuam sendo executadas diariamente em rádios de todo o interior nordestino.

Em 2010 a Prefeitura Municipal e a Fundanção Casa da Cultura promoveram um Tributo a Banda D.Gritos, pela primeira vez em mais de dezessete anos alguns ex-integrantes do grupo (Camilo Melo, Jorge Stanley, Gisleno Sá, Cesar Rasec e Nilsinho) voltaram ao palco e a som de “Escravos de Ninguem (Porra)” fizeram uma viagem no tempo. O destino de forma irônica colocou todos juntos no mesmo local onde ocorreu a tragedia com Ricardo Rocha.

O reencontro histórico da banda D.Gritos só veio a comprovar que “eles mudaram a dimenssão daquilo que restou”, que eles são “o lirio que brilhou” e que o “eco gritado de uma voz” continua navegando pelo tempo, como se fosse uma eterna melodia!



Vídeos da banda no youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=_hpr2o3txL0&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=tPXQyKbtn1Q&feature=relmfu

http://www.youtube.com/watch?v=nDk9oN0z_dc&feature=relmfu

http://www.youtube.com/watch?v=GPsKkczxM-g&feature=relmfu

http://www.youtube.com/watch?v=xB5qgXrvhe0&feature=endscreen&NR=1


P.S.: Esses um esboço de um trabalho de pesquisa que estou desenvolvendo sobre a Banda D.Gritos, as pessoas que quiserem contribuir com informações, histórias, fatos inusitados, depoimentos, recortes de jornais, fotos e vídeos da banda podem enviar para o e-mail pcgomes-st@bol.com.br


*Paulo César é professor e especialista em História Geral



2ª Formação


Acima, 1ª Formação da banda

Festival de Música de Salgueiro

 
Fotos do acervo pessoal de Camilo Melo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Serrinha, um retrato do descaso e oportunismo político

A Barragem de Serrinha é um intrigante caso no qual se verifica o descaso com a aplicação do dinheiro público em obras faraônicas. A obra que tive o seu inicio no final da década de 1950 e foi inaugurada em 1996, mesmo não estando concluída, vem sendo ressuscitada a cada eleição, apenas com objetivo explícito de angariar votos dos inocentes eleitores locais.
A Barragem de Serrinha tinha tudo pra ser uma obra propulsora do desenvolvimento econômico e social da região do alto Pajeu, com a implantação de projetos nas áreas da agricultura irrigada e pesca, gerando empregos e melhorando a qualidade de vida de centenas de famílias.
O problema é que a obra foi e continua sendo usada como uma plataforma política eleitoreira, nada é feito de concreto para que águas do seu reservatório sejam efetivamente utilizadas. Vários são os factoides criados em torno da alocação de recursos federais para a efetivação de projetos no entorno do açude. Para não sair da rotina, o tema voltou a ser lembrando agora em 2012, são as velhas promessas políticas que recheiam o eterno discurso do deputado Inocêncio Oliveira, provavelmente quem mais se beneficiou politicamente com as idas e vindas da emblemática obra.
Nessa história os maiores prejudicados são os agricultores ribeirinhos e a população em geral, pois acabam perdendo uma importante ferramenta para o desenvolvimento da região. Por outro lado, os nossos políticos se deleitam com a lentidão e o descaso dos órgãos públicos federais, que de forma singular ignoram o fato de que em pleno sertão nordestino existe uma barragem com um grande volume de água e que não é praticamente usada.
Essa situação só vem a comprovar que o fenômeno da seca não é o responsável pelo atraso econômico do Nordeste, os verdadeiros responsáveis são nossos gloriosos e eternos “coronéis”, que assistem de camarote a desgraça econômica, social e cultural da maioria da nossa sociedade que é formada por inúmeros excluídos que habitam o campo e a cidade.

Paulo César é professor especialista em História Geral e bacharelando em Direito
Publicado em 03 de abril de 2012 pelo site Farol de Notícias de Serra Talhada

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