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domingo, 13 de dezembro de 2015

VIAGEM AO PASSADO: A beleza da Rainha do Algodão e a fuga de Chateuabriand de Serra Talhada

Por Paulo César Gomes, Professor e escritor serra-talhadense

A definição de beleza é algo extremamente subjetivo, por isso, é difícil aclamar uma mulher como a mais linda do mundo, ou a mais linda de uma cidade ou de um país.
Porém, os concursos de beleza realizados anualmente estipulam critérios e regras para se tentar aproximar do que poderiam definir como a perfeição. Contraditório ou não, esse modelo de competição revelam personalidades que acabam virando lendas com o passar dos anos.

A origem dos concursos de beleza está diretamente ligada a Grécia Antiga, onde Cípselo instituiu o primeiro concurso, após fundar uma cidade banhada pelo rio Alfeu; a vencedora do primeiro concurso se chamava Herodice. O primeiro concurso da era moderna foi criado em 1951 na Inglaterra, o Miss Mundo (Miss World), como parte das celebrações do Festival of Britain.

Seu fundador foi Eric Morley, na época o concurso teve uma audiência global maior que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. A vencedora do concurso foi à representante da Suécia Kiki Haakonson. Na atualidade há milhares de concursos regionais, nacionais e internacionais, todos despertando maior ou menor interesse de público e mídia.
Duas beldades nacionais já ganharam o concurso de beleza mais famoso do mundo: a gaúcha Ieda Maria Vargas, em 1963, e a baiana Marta Vasconcelos, em 1968.

O Brasil também teve vencedoras em outros dois concursos do gênero, o Miss Mundo e o Miss Beleza Internacional. Em 1968, Maria da Glória Carvalho, do Estado da Guanabara – hoje parte do Rio de Janeiro – venceu o Miss Beleza Internacional e, em 1971, Lúcia Tavares Peterle, também da Guanabara, levou o Miss Mundo. As brasileiras no Miss Universo, Miss Mundo e Miss Beleza Internacional costumam ser, respectivamente, a primeira, segunda e terceira colocadas no Miss Brasil.

MARIA TERESA DE GODOY BENÉ: A RAINHA DO ALGODÃO DA FESTA DE 1953



Na primeira metade do século XIX, o algodão era o grande motor da economia serra-talhadense, sendo denominado de “o ouro branco”. Em função da valorização e dos benefícios trazidos pelo produto, o então prefeito Moacir Godoy, criou em 1950, a Festa do Algodão.

O evento acabou ganhado proporções regionais, sendo que em 1953, a festa contou a presença do Ministro da Agricultura, João Cleophas, e do Governador do Estado, Etelvino Lins, e do Senador, Apolônio Sales, entre outros.

Dentro da programação do evento, foi colocado o concurso para a escolha da rainha da festa. Cada cidade produtora de algodão indicou uma candidata. As atenções estavam voltadas para a candidata da cidade de Limoeiro, que havia sido escolhida recentemente Miss regional.

No entanto, para a surpresa de todos, a jovem Maria Tereza de Godoy Bené, roubou a cena logo que entrou na passarela. Vestindo “um longo” feito com a fibra do algodão, a morena que representava a cidade de Serra Talhada, foi aclamada pelos presentes antes mesmo do resultado dos jurados.

Como é de praxe na cidade, poucos registros são encontrados sobre a Festa do Algodão e sobre a jovem Maria Tereza de Godoy Bené.

ASSIS CHATEUABRIAND: O MAGNATA DAS COMUNICAÇÕES SE ENCANTOU POR TERESA BENÉ, MAS SAIU ESCONDIDO NO PORTA MALAS DE UM CARRO

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ASSIS CHATEUABRIAND: O MAGNATA DAS COMUNICAÇÕES 

Apesar dos poucos registros sobre a Festa do Algodão, alguns fatos acabaram caindo no domínio público. Um deles diz respeito ao magnata das comunicações, o jornalista Assis Chateaubriand.

O paraibano foi um dos homens mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e de 1950 em vários campos da sociedade brasileira. Ele criou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do país, os Diários Associados: 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal (O Cruzeiro), uma mensal (A Cigarra), várias revistas infantis (iniciada com a publicação da revista em quadrinhos O Guri em 1940), e a editora O Cruzeiro.

Quando esteve em Serra Talhada, Assis Chateaubriand exercia o mandato de Senador, e veio na comitiva do Ministro da Agricultura. Após a eleição, Teresa Bené foi coroada rainha pelas mãos do Ministro João Cleophas. Durante o decorrer da festa, a bela morena foi felicitada por várias pessoas, entre elas, Assis Chateaubriand, que bastante empolgado com o carisma e beleza da jovem, acabou lhes dirigindo alguns elogios que não foram bem recebidos pelos parentes da moça.

O incidente gerou um certo desconforto entre os presentes que só veio a se acalmar com a saída descrita do jornalista e senador escondido dentro de um porta malas de um carro. Não se sabe se ocorreram ameaças veladas a Chateaubriand ou se o famoso mulherengo preferiu sair escondido com medo da fama de violência que na época já era uma marca da cidade.


Teresa Bené sendo coroada em Serra Talhada pelo ministro João Cleophas

Publicado no portal Farol de Notícias de Serra Talhada, em 13 de dezembro de 2015.

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