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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A perseguição

Do sertão de Serra Talhada, onde não se brinca de valente, narrativas de morte e vingança
 
 Por Caco Barcelos •Versus 7 •dezembro de 1976
 
 
 Os inimigos ali na frente,vendo a sua agonia. Nenhuma facada a mais. Nenhuma agressão. Nunca um Gaia agonizou aos olhos do inimigo. Batista Gaia,o mais corajoso dos Gaias,do alto sertão de Pernambuco,estámorrendo num quarto de bordel de Serra Talhada. Os inimigos continuam ao péda cama. O velho mal consegue erguer os pés. O corpo esticado sobre a cama jánão lhe obedece àvontade. Batista põe a folha do poema para tapar o buraco do pescoço ferido pelo punhal e jamais deixa de encarar os homens que estão de pécom a faca. Se ao menos a menina de 20 anos que estácom ele acordasse… Consegue arrastar o braço pelo lençol ensangüentado. Apóia a mão esquerda na cabeça da mulher. Sacode. Mas ela dorme. A única arma de Batista éa que resta em sua mão:a poesia –que escrevia para ela naquela hora –folha molhada de sangue que joga na cara de um inimigo. A perseguição Por que não matam de uma vez esse velho!? O grito éde uma mulher,veio da boca de mais um inimigo que estáno quarto e o velho ainda não sabia. Matem logo! O pedido éda menina loira que fingia dormir. Uma traição a Batista em troca de 500 cruzeiros e de proteção que os três inimigos prometem. A traição parece tê-la enlouquecido. A mulher vêBatista esfaqueado,vivo,olhando e continua gritando matem,matem! Ela estádesesperada quando os três homens terminam de matar Batista com coronhaços de rifles na cabeça,facadas e tiros no sexo. Quase meia-noite,a mulher chora sobre a cama ensangüentada,os 500 cruzeiros estão espalhados no chão e o corpo do velho éarrastado do cabaréatéa sarjeta de uma rua escura que sobe no Alto do Urubu,em Serra Talhada. Serra Talhada fica numa planície,são cinco ou seis ruas paralelas que rodeiam uma praça,as casas são baixas e antigas. Todo caminho termina numa subida. A cidade écercada por montanhas que têm profundas rachaduras cobertas de vegetação rasteira. Daío nome Serra Talhada. E em um desses morros que cercam a cidade,no Alto do Urubu,que Vilmar Gaia,um rapaz parecido com Batista,moreno,alto,olhos amendoados,pele de índio,encontra o cadáver do pai. A cabeça esmagada,a camisa em pedaços,sem calças,o sapato trocado de pée no lado do corpo,o rifle 44 em cima de uma folha escrita pelos inimigos,com data. Dia 6 de junho de 1971:“Última poesia do velho mulherengo”. Minha morte éuma justiça. No sertão não se brinca de valente. Os Gaias mataram os soldados. Eu morro com os inimigos na frente. Sertão de Pernambuco,seca de 1970. A história da morte de Batista começa em 30 de dezembro de 70,durante a grande seca,numa frente de trabalho da SUDENE. Os trabalhadores reclamam pela falta de dinheiro ao engenheiro encarregado do pagamento. Batista estáentre os homens que reclamam. Também estava na multidão quando dois soldados da Polícia Militar de Pernambuco,Adalberto Clementino de Moura e Alberto Alves de Moura,começam a agredi-los a pontapés e cacetadas. Os trabalhadores,humilhados,voltam àfila. Mas não todos. Aqueles cinco irmãos com cara de índio se revoltaram. Armados de foices e lambedeiras,cinco irmãos Gaia,Cícero,Eduardo,Tozinho,Antônio e Enoque,matam a dupla de soldados. E o velho Batista Gaia escreve uma poesia em homenagem àvitória da família. Ainda durante a seca,começa a perseguição ao velho,que éassassinado seis meses depois,naquele cabaré,no Alto do Urubu. Alto do Urubu,voltamos a junho de 71. Morre Batista Gaia e,no enterro,seu filho Vilmar agarrado ao rifle 44,jura vingança. Ele desconfia dos parentes,dos amigos,atédo padre que benze o caixão de Batista. Todas as pessoas que vêpara ele são o inimigo. A namorada,o juiz da cidade,as crianças. Vilmar interroga todos que estão no cemitério de Serra Talhada. Faz tantas perguntas que a loira amante de Batista lhe confessa quem são os criminosos: Três soldados (da 17ªCompanhia Militar de Pernambuco) mataram Batista! Ainda na noite do dia do enterro,Vilmar,22 anos,de bermudas,chinelo e sem camisa,vai àcaatinga e torna-se pistoleiro. Coloca na mata um lampião a 50 metros de distância,apóia o rifle na clavícula,mira,aperta o gatilho e os tiros apagam o fogo mais de 20 vezes nessa madrugada. Amanhecia quando Vilmar évisto atravessando a Praça Nossa Senhora da Penha. Às 8 horas continuava investigando. Vestia apenas a bermuda,com dois revólveres na cintura,quando entra no prédio da delegacia para falar com o delegado Sebastião Nogueira. Seu plano começava a dar certo porque o delegado aceita o seu pedido. Agora Vilmar,além de pistoleiro,épolicial da 17ªCompanhia. Nos primeiros cinco dias na polícia,Vilmar continua nas investigações e ganha dezenas de cartucheiras dos soldados. Conversa sobre o crime pelos corredores e ànoite tiroteia em garrafas de cerveja,latas de sardinhas,em alvos cada vez menores. Em uma semana descobre o inquérito sobre a morte do pai nos arquivos da delegacia,e sabe,assim,os nomes dos soldados criminosos. No dia seguinte àdescoberta,o delegado Sebastião Nogueira reprova Vilmar no teste de capacidade intelectual. Ele éexpulso da 17ªCompanhia e duas semanas depois mata com 16 tiros um dos três inimigos,Arnaldo Cipriano,num bar de Salgueiro,a 300 quilômetros de Serra Talhada. Fazenda Lavra de Mangueira,outubro de 73. O suplente de comissário,Pedro Inácio,dáuma festa na fazenda. Como fazia o velho Batista,Vilmar entra na festa acompanhado de uma prostituta. Pedro Inácio manda ele embora. Os dois discutem,brigam e depois tiroteiam. Vilmar éferido no ombro e cai. Do chão ele atira e mata o comissário. O baile continua. A polícia éavisada do crime e Vilmar dança no salão. Calça e camisa pretas,duas cartucheiras na cintura,ele dança uma rancheira. A prostituta veste uma saia curta a um palmo do joelho e aperta o corpo de Vilmar. Ela rebola,desabotoa a camisa do pistoleiro e beija-lhe o peito na hora em que alguém dáum tiro. Apagam-se as luzes,éa polícia chegando. Vilmar estána escuridão dentro da casa cercada pela patrulha. Da janela ele vêque outro matador de seu pai,o soldado Natalício,estána chefia da patrulha. As mulheres gritam e correm do salão,puxadas pelos homens. O último a sair na porta do salão éVilmar Gaia,com rifle na mira de Natalício,que morre com um único tiro no peito. Nenhum outro soldado reage. E Vilmar foge a cavalo com a prostituta. No Velório de Natalício: àmeia-noite Vilmar vai ao velório do inimigo. A mesma roupa preta,um chapéu de abas largas,óculos de lente escura,ele distribui cópias da última poesia do velho mulherengo e vai embora. Três dias depois da morte de Natalício: Émorto o cunhado de Vilmar Gaia,Luiz Zuza. O corpo éenterrado na caatinga. Tribunal de Justiça,outubro de 74: O juiz Ítalo JoséNandi decreta prisão preventiva de Vilmar. E também éacusado de matar o primo Antônio Augusto que teria se vendido para a família de JoséCipriano. A família que pagou para matar seu pai. Morre o soldado Luiz Gonzaga que Vilmar perseguia para completar sua vingança. O povo atribui a Vilmar mais de 30 mortes. E o juiz sofre um atentado,um dos tiros quebra a antena do seu carro. Novembro. Circulam folhetos de cordel em homenagem ao pistoleiro que fez sua própria justiça no Alto do Sertão de Pernambuco: “Filho de Serra Talhada/ No sertão de terra quente/ onde nasceu Lampião/ Natureza de serpente/ Agora tem Vilmar Gaia,feio,disposto e valente/ Dizem que ele se encanta/ Num péde mandacaru/ Vive também envultado/ Numa onça canguçu/ Extasiando maior assombro no Vale do Pageú/ Sótem 26 anos/Esta éa sua idade/Mas dizem que ele briga/De 110 qualidade/ Briga dentro da caatinga e luta em qualquer cidade/Jáfez 32 mortes/Abraçou a miséria e deu coice na sorte/ Éo maior cangaceiro que temos aqui no Norte”. Fevereiro de 75. Chegada de David Jurubeba e seus pistoleiros em Serra Talhada. Jurubeba veio para acabar com os Gaias. Ele éum rastejador profissional desde a década de 40,quando perseguia Virgulino Lampião. Sua inimizade aos Gaias vem dessa época,pois o velho Batista protegia o cangaceiro das volantes. Com a morte dos soldados Natalício e Luiz Gonzaga,seus parentes,aumenta o ódio de Jurubeba: –Vim para matar. Venho das terras de Nazarée sóvoltarei quando for eliminada a raça dos Gaias. Eu sou do clãdos Ferraz Jurubeba. Minha vida éno mundo perseguindo bandido. Se esse tal de Vilmar évalente como falam eu o perseguirei atéa morte. Quero cortar a cabeça desse cabra como fizemos com Lampião. Batista era coiteiro e família que protege o cangaço não merece o perdão. Estou pronto para a luta. Primeiros dias de março –Jurubeba e dois pistoleiros carregam munição para uma camioneta,defronte ao prédio da delegacia. No mesmo dia um cunhado de Vilmar,Arnaldo Gaia,éfuzilado no balcão da caixa da sua mercearia,no centro de Serra Talhada. No dia seguinte éa vez de Batistinha Gaia,irmão de Arnaldo. Os pistoleiros fuzilam àqueima-roupa. No dia 5,as cinco famílias dos irmãos do velho Batista estão em pânico com a entrada de Jurubeba e sua volante em suas terras. Os fuzis apontam para os cinco irmãos. Os dois canos grossos da arma estão bem junto aos olhos de Laudelino. O fuzilamento seráàqueima-roupa. Ao lado de Laudelino estáTozinho,pele de índio,cabelo preto,liso,com a baioneta do fuzil quase lhe raspando o nariz. Depois de Tozinho vem Eduardo,depois Cícero e por último Enoque. Todos os irmãos Gaia morrerão se não responder àpergunta: –Onde estáVilmar Gaia? –Respondam bandidos! No milharal da fazenda,as mulheres vêem aquela cena e pedem de joelhos proteção a São Tomás de Aquino,a Frei Damião e a Padre Cícero. As crianças cantavam orações. De longe dali se ouvia a cantoria que sónão era mais forte que o som dos gritos do fuzilamento. Fogo nos bandidos! Como nenhum dos irmãos fala sobre Vilmar,os policiais apertam o gatilho. Os tiros fizeram mulheres e crianças correrem e os animais da fazenda corriam juntos para todos os lados. Mas os Gaias continuam de pé. O fuzilamento fora uma ameaça. Os tiros passaram rentes àcabeça de Enoque e ele permaneceu como estava,o olhar fixo nos olhos do carrasco. Indiferente,mudo,parece tranqüilo. Enoque estátão calmo que Jurubeba,o carrasco,assustado,muda de tática. Amarra os pulsos de Enoque e a mesma corda éamarrada nas ensilhas do cavalo. Assim ele começa a ser arrastado pelas terras do distrito de São João,a norte de Serra Talhada. O cavalo de Jurubeba éum animal selvagem que corre a trotes largos em direção às montanhas. A estrada éde pedregulhos e o corpo de Enoque se mantém um pouco atrás das patas do cavalo,os braços esticados,a cabeça erguida,o peito arrastando,jásem botas e sangrando. Nas poucas vezes que abre os olhos,o que vêépoeira e patas. O cavalo abre caminho. Enoque ainda ouve o relincho quando cruza os milharais. Enoque ainda vive. –O cavalo de Jurubeba éarisco,selvagem. Mas não consigo imaginar a que velocidade anda. Sei que andava rápido quando começou a malvadeza. Naquela hora vocênão sente dores. Eu estava sendo arrastado de bruços e sentia as pedras que batiam no meu corpo,sentia as pedras entrando na minha carne. Os galhos secos eram espinhos grandes e a terra queria devorar a minha barriga. Meu corpo estava mole,saltava como borracha. Mas um homem nesta hora ainda sente muita força. –Nunca me passou a idéia de trair o meu sobrinho. Eu sabia que estava sofrendo a malvadeza por causa dele. Mas eu sou dos homens que não sabem trair o irmão de sangue. Dizer onde estáVilmar Gaia édesprezar a nossa grande vingança. Seria uma atitude de homem que não preza amor da família. Que as patas me furem os olhos mas eu não falo. Podem me chutar a boca,que me quebrem os dentes porque eu não digo. Vou proteger a pele do menino Vilmar atéa morte se for preciso. Écerto que Vilmar épistoleiro e bandido. Mas também écerto que um homem sóéafoito e valente se antes ele foi revoltado e corajoso. O caso de Vilmar éde revolta pela morte do pai. Ele fez sua própria justiça aqui no sertão. A justiça que os homens tiveram medo de fazer. Jamais vou trair um menino assim. Eu esperava pela morte porque a morte me salvaria daquele momento. Eu queria que a morte viesse depressa para não dizer o esconderijo de Vilmar,queria a morte como salvadora,como uma aliada contra o inimigo. O sol éforte no sertão quando Jurubeba desata a corda do pulso de Enoque desfalecido. A roupa estáúmida do sangue que escorre do rosto,a sobrancelha puída pela terra,a cabeça de Enoque éuma grande ferida. O couro cabeludo foi pelado,os fios de cabelo ficaram pelo caminho da tortura. E aquelas perguntas continuam… Os habituais interrogatórios aos Gaias tornam-se trágicos. Maria Aparecida,uma tia de Vilmar,morre de colapso cardíaco quando vêo corpo de Enoque torturado. Ninguém denuncia,mas David Jurubeba continua a perseguição. Oferece um Volks para o Gaia que delatar Vilmar. Serra Talhada,22 de março. O governo do Estado de Pernambuco contrata o campeão brasileiro de tiro-livre,capitão João Ferreira dos Anjos,para perseguir Vilmar Gaia. E a Secretaria de Segurança pernambucana substitui todos os policiais de Serra Talhada,inclusive o delegado Sebastião Nogueira. Quarenta policiais militares selecionados,com modernas metralhadoras,granadas e bombas de gás lacrimogênio auxiliam o capitão João Ferreira nas diligências. Maio de 75. A Rede Globo de Televisão oferece 25 mil ao capitão João Ferreira para que ele garanta uma entrevista exclusiva de Vilmar no dia em que ele for preso. A família Gaia éinterrogada todos os dias. Caatinga,junho,julho,agosto. Tem dias que o capitão João Ferreira caminha 40 quilômetros a péna caatinga. Os Gaias estão aflitos. Toda a família. Quando ouvem um ruído de carro,eles pensam que évolante que vem chegando. Mec Gaia,uma criança,quase um bebê,nunca mais voltou de uma fuga. A polícia acha que ele estáno esconderijo de Vilmar. A única pista da polícia éo cocôde Mec. Um cocôenroscado,fino,menor que o de um gato. Éo que resta na caatinga de uma criança de dois anos,de um foragido da volante. Os cães,um rastejador profissional e 30 homens armados perseguem Mec. Sem camisa,o calção puído na bundinha,o fugitivo chupa bico e carrega no pescoço,preso a um cordão,um presente do tio Vilmar:o cartucho 44 do tiro de vingança. Talvez ele esteja morrendo. A merdinha do Mec diminui a cada dia. Mas a família Gaia crêna sobrevivência do menino,crêna proteção da caatinga aos perseguidos,crêno sol como um alimento a Mec. Eles crêem que um dia Mec voltarátransformado em mais um Gaia vingador. De 17 a 20 de agosto de 76. O capitão João Ferreira não dorme hátrês dias e avança o sertão do Cearáem direção àfronteira da Paraíba. Às 4 horas da madrugada do dia 22 chega ao vilarejo de Ipaumerim e dáordens para 30 soldados fazerem o cerco na casa da Fazenda Quitéria. Duas portas e oito janelas na mira de três metralhadoras,dez mosquetões,bombas de gás lacrimogênio,uma pistola e um rifle. Na casa tudo quieto –apenas Vilmar Gaia,que dormia nu em uma rede,se movimenta para pegar o revólver Taurus 38. A polícia nunca esteve tão perto depois que ele fugiu de Serra Talhada. Os soldados estão prontos para matar,o capitão João Ferreira estádeitado no chão com a arma carregada de balas alemãs. A porta se abre,peito nu,cabeça baixa para a braguilha que tenta abotoar. Depois Vilmar levanta a cabeça,ergue os braços e caminha em direção ao capitão João Ferreira dos Anjos. Vilmar Gaia chega preso ao xadrez de Serra Talhada. Os homens esqueceram a justiça. A justiça de Deus écom ele. Minha justiça eu jáfiz. Agora o capitão João Ferreira que faça a dele. Dia 20 de agosto. David Jurubeba,maior inimigo dos Gaias,abandona Serra Talhada. Carrega uma maleta de mão,cartucheira,um rifle nas costas,volta às terras de Nazarée fala decepcionado:“Eu não sei viver sem um grande duelo. Desde Lampião espero por um bandido perigoso que me desafie. Vilmar era a minha grande esperança,eu queria matar esse menino,queria matar todos os Gaias em um grande incêndio. A prisão de Vilmar não teve graça. Por isso continuarei na perseguição aos pistoleiros. Ainda espero pelo grande duelo,tenho paciência. Enquanto esse dia não chegar perseguirei atémulher barriguda do sertão. Alguma coisa me diz que a cada segundo pode nascer um homem perigoso,um novo Lampião. A polícia de Pernambuco que se cuide”. No dia da prisão de Vilmar Gaia,as rádios de Serra Talhada transmitem a notícia de dez em dez minutos. E tocam a música Cabra macho do Rocha,inspirada no pistoleiro. O comércio fecha,estão suspensos os expedientes dos bancos e repartições públicas. Uma multidão empurra os soldados na porta de entrada da delegacia para ver Vilmar. Às 9 horas do dia,o capitão João Ferreira comunica a prisão de Vilmar ao secretário de segurança,Rui Aires Lobo,que dáordens para uma escolta levá-lo ao Dops de Recife. Nessa hora as crianças brincam de Vilmar Gaia pelas ruas de Serra Talhada. Um menino que nem forças tem para manter a arma erguida também brinca na janela do colégio. A arma estáengatilhada. Ele faz a pontaria enquanto a professora escreve no quadro negro. Quando a professora vira de frente o menino recua e se agacha. Espera alguns minutos e quando aperta o gatilho o tiro écerteiro e acerta de verdade no alvo:a nuca de um coleguinha. Ninguém soube dizer os motivos do crime. O menino fugiu. O povo conta que o menino era Mec Gaia porque a arma do crime foi descoberta. Era um rifle calibre 44.viver de artesanato
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

MOÇÃO DE APOIO AO PL 4699 –- DIRETORIA NACIONAL DA ANPUH

A Diretoria da ANPUH - Brasil vem se manifestar, mais uma vez, a respeito
da tramitação do Projeto de Lei 4699 que regulamenta a profissão de
Historiador. A demanda por uma lei deste tipo é antiga e se justifica com
base em dois argumentos principais: a necessidade de criar condições legais
para contratação de historiadores em órgãos públicos, como arquivos,
bibliotecas, museus, instituições de preservação cultural etc; e a intenção
de evitar que pessoas sem formação específica lecionem a disciplina
História no Ensino Fundamental e Médio.

Cabe destacar que a partir de julho passado, quando o Projeto passou a ter
reais possibilidades de ser aprovado, avolumaram-se as manifestações
contrárias, provenientes de entidades nacionais (Sociedade Brasileira para
o Progresso da Ciência, Sociedade Brasileira de História da Educação,
Sociedade Brasileira de História da Ciência, Comitê Brasileiro de História
da Arte) e internacionais (Société d’Histoire et d’Épistémologie des
Sciences du Langague e Royal Historical Society) que apelam aos
legisladores brasileiros para não aprovarem o Projeto. A ANPUH, sempre
disposta ao debate franco e democrático, tem explicitado as razões que
motivaram a iniciativa, em reuniões com diversas associações, com o intuito
de buscar o diálogo e dirimir possíveis dúvidas.

Temos insistido que a mobilização em favor da lei não é movida por outros
interesses, como apontam, injustamente, alguns dos críticos do projeto. Não
há a intenção de garantir privilégios indevidos para ninguém, mas,
valorizar a importância da formação universitária especializada para
profissionais de História. Tampouco existe o propósito de controlar uma
área de conhecimento que todos desejam seja livre e, muito menos, nós
historiadores profissionais – principais interessados em garantir a
liberdade – pretenderíamos o contrário. Que fique claro: a lei não prevê
Conselhos profissionais nem formas parecidas e nenhuma entidade vai
controlar a profissão. Da mesma forma é importante explicitar, de forma
clara e inequívoca, que o Projeto não tem qualquer pretensão de regular o
mercado editorial: qualquer pessoa tem, como sempre teve e continuará
tendo, o direito de pesquisar, escrever e publicar trabalhos que tratem de
temas, questões, lugares, eventos, personagens ou qualquer aspecto ligado à
História. Apresentar a proposta como cerceadora desse tipo de atividade é
desconhecer completamente o intuito da regulamentação. Aliás, parece que
alguns críticos não leram o texto da lei, enquanto seria recomendável que
todos o fizessem.

Nas últimas semanas, algumas entidades internacionais têm se manifestado
contra o projeto, com base em sua experiência e realidade nacional. Embora
respeitemos todas as opiniões, entendemos que não se pode perder de vista
as peculiaridades brasileiras. Nestas plagas, o Estado tradicionalmente
interfere nas relações de trabalho e regula uma série de atividades
profissionais, com resultados nem sempre negativos. Existem leis regulando
as profissões de Sociólogo e Museólogo, por exemplo. Se uma lei desse tipo
é necessária para que órgãos públicos possam fazer concursos para
historiadores, por que ser contra?

A Diretoria da ANPUH defende com vigor a necessidade da lei, não obstante,
está aberta ao diálogo com todos os interessados nas questões relativas às
atividades dos historiadores. Entendemos que iniciativas voltadas ao
aperfeiçoamento do projeto podem ser benéficas, desde que não impliquem
retrocesso grave na sua tramitação parlamentar.

Portanto, é com este intuito que vimos solicitar a manifestação de seu
apoio à iniciativa de regulamentar a profissão de Historiador.

Assine nossa Petição Pública PELA APROVAÇÃO IMEDIATA DO PROJETO DE LEI
4699/2012 - 
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2013N43417

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

FESTA DE SETEMBRO: Banda D.Gritos começa a se preparar para gravação de DVD

A banda D.Gritos, que marcou a história do rock em Serra Talhada e na região na década de 1990, retorna em grande estilo com a gravação de um DVD no próximo dia 30 de agosto, no palco cultural da Festa da Padroeira da Capital do Xaxado. O grupo começará os ensaios na semana que antecede a apresentação e já definiu o repertório do show, que terá 16 músicas e muitas surpresas. Entre elas, uma homenagem ao músico Ricardo Rocha, um dos líderes do grupo que morreu há 20 anos durante a abertura da Festa de Setembro.
 
A gravação do primeiro DVD da banda promete atrair um público gigantesco de fãs. A história dos D’Gritos está eternizada em vários sucessos do grupo. Muitas canções se perpetuaram ficando plantadas na mente na nova geração de roqueiros da cidade. Além disso, o sucesso e a tragédia que marcaram a banda foram parar nas páginas do livro D.Gritos – do Sonho à Tragédia, do escritor Paulo César Gomes. A gravação do DVD dos D.Gritos, certamente, será um dos pontos altos da Festa de Setembro.

A omissão do governo e a apatia da população fizeram da PE-365 a rodovia da morte

 
A cada ano que se passar dezenas de vidas são ceifadas ou pessoas ficam mutiladas em tragédias que acontecem na PE-365. A maioria dos acidentes fatais ocorre em virtude da buraqueira e da falta de acostamento, ausência de sinalização e da imprudência de alguns condutores que trafegam pela rodovia. Não existe uma estátistica oficial, mas seguramente essa é uma das rodovias estaduais que mais matam no estado, o que nos leva a denomina lá de a rodovia da morte.
 
Já virou rotina na região às notícias de acidente na estrada – que possui pouco mais de 30 km – que liga o município de Serra Talhada às cidades de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, além de dar acesso ao estado da Paraíba. Muitos acidentes são causados por motoristas que dirigem em alta velocidade, por direção perigosa, por ultrapassagem em trechos proibidos e por embriaguez ao volante. Esses tipos de acidentes seriam evitados se existissem blitz da polícia militar com mais frequência ao longo da PE.
 
Por outro lado, é importante que se destaque a omissão do estado que não realiza reparos na pista há anos, nem tampouco colocou “guard rail” (mureta de segurança) em trechos em declives e sinuosos, além de placas de sinalização em áreas de risco. Sem falar que até hoje, nenhum deputado, prefeito ou vereador da região se manifestou publicamente sobre assunto. Até parece que os acidentes e as mortes são fatos normais ou que fazem parte da cultura da região.
 
Corrobora para isso também o silêncio da sociedade civil organizada, como igrejas, sindicatos, associações e a OAB que não desencadeiam uma campanha regional pedido providência do governador do estado, Eduardo Campos (PSB), e do secretário estadual de transportes, Isaltino Nascimento (PT). Em quanto à omissão e à imprudência forem às marcas registradas da PE-365 muitas vidas ainda serão perdidas ao longo dessa que é a rodovia da morte!
 
Um forte abraço a todos e a todas e até a próxima!
 
PS: Por que ao invés da Prefeitura Municipal ter repassado R$ 100 mil com autorização da Câmara de Vereadores, para a realização da 14ª Expossera, não deixou para aplicar na Festa de Setembro? Afinal de contas, é melhor investir em um evento privado ou aposta na valorização e na estruturação da cultura da cidade?
 
Publicado no site Farol de Notícias de Serra Talhada, em 18 de agosto de 2013.

sábado, 17 de agosto de 2013

No Ceará, dona de cabaré processa igreja evangélica

Em Aquiraz, no Ceará, Dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas.
Em resposta, uma igreja evangélica local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração de manhã, à tarde e à noite.
 
O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da reinauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção.
 
Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar "do grande poder da oração".
 
Então, Dona Tarcília processou a igreja, o pastor e toda congregação sob o argumento que eles "foram os responsáveis pelo fim de seu prédio e de seu negócio, utilizando-se da intervenção divina, direta ou indireta e das ações ou meios.”
 
Na contestação à ação judicial, a igreja, veementemente, negou toda e qualquer responsabilidade ou qualquer ligação com o fim do edifício.
 
O juiz, a quem o processo foi submetido, leu a reclamação da autora e a resposta dos réus e, na audiência de conciliação, comentou:
 
- Eu não sei como vou decidir este caso, mas uma coisa está patente nos autos: Temos aqui uma proprietária de cabaré que firmemente acredita no poder das orações e uma igreja inteira declarando que as orações não valem nada!
 
Só sei que foi assim.
Fonte:
http://bardoateu.blogspot.com.br/2013/05/no-ceara-dona-de-cabare-processa-igreja.htm
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http://nominuto.com/blogdodiogenes/no-ceara-dona-de-cabare-processa-igreja-evangelica/119
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ATIVIDADE DE DIREITO CIVIL - SUCESSÃO

        QUESTÕES DISSERTATIVAS DE SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA QUESTÃO 1 :  João fez um testamento para deixar um dos seus 10 imóveis para seu gra...