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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

HISTÓRIA PERDIDAS DO SERTÃO: A batalha da Umburana entre a Coluna Prestes e a Polícia Militar de Pernambuco

Por Paulo César Gomes, professor, escritor e historiador serra-talhadense

Monumento em homenagem ao policia morto na batalha. Placa idealizada pela Polícia Militar de Pernambuco (Foto: Paulo César - Novembro de 2015) 

Os Sertões nordestinos estão recheados de “Histórias Perdidas”, um exemplo dessa falta de preservação da memória sertaneja pode ser percebida ao verificar o significado deste monumento localizado na região da Umburana, entre Custódia - PE e Sítio dos Nunes, distrito de Flores – PE.
No local aonde foi erguido esse monumento ocorreu um confronto da Coluna Prestes, com Forças da Polícia de Pernambuco, há quase 90 anos. A localidade conhecida como Umburanas  fica as margens da BR 232, à aproximadamente 17k da cidade de Custódia, onde a Coluna Prestes travou o combate mais importante, quando da passagem pelo Estado. O combate foi travado no dia 14 de Fevereiro – o primeiro dia de Carnaval - de 1926, era, então, Governador do Estado, Sérgio Loreto. A tropa pernambucana era composta de cerca de 200 soldados, comandados pelo “célebre Coronel João Nunes, velho perseguidor de Lampião”.

Foto: Paulo César Gomes

De acordo com o Boletim Geral da Força Pública, datado de 12 de março de 1926, morreram oito soldados: Isídio José de Oliveira, (2º Batalhão), Castor Pereira da Costa, Ercias Petronillo Fonseca e Manoel Bernardino Fonseca (Regimento de Cavalaria), José Sebastião Bezerra, Pedro Cosme Alexandrino, Antônio Cassemiro Ferreira e Luiz José Lima Mendes, (Companhia de Bombeiros). (Livro: Epopéia de bravos guerreiros – Jorge Luiz de Moura e Carlos Bezerra Cavalcanti). Os feridos foram três soldados, Amaro do Espírito Santo e Benevenuto Cardoso Silva, (do 2º Batalhão) e Severino Lino dos Santos, (do Regimento de Cavalaria). No mencionado Boletim, o comandante João Nunes enaltece suas bravuras e sacrifícios no campo de luta, em defesa da legalidade.
Aqueles soldados foram sepultados no local, numa cova única, à beira da estrada, de acordo com o major da PM João Rodrigues da Silva, em artigo publicado na Revista Guararapes, em janeiro de 1950, – Os mortos do Riacho do Mulungu, onde assinala que pela voz do povo, o número de mortos se eleva a mais de 40 praças. Esse monumento foi construído durante o Comando Geral do Coronel Manoel Expedito Sampaio, em 1961 (Informação do coronel Cícero Laurindo de Sá).


Foto: Paulo César Gomes

No monumento existe uma placa de mármore  com a seguinte mensagem: “Homenagem da Polícia Militar de Pernambuco à memória dos seus heróis que, em 14/02/1926, aqui tombaram no cumprimento do dever, combatendo a Coluna Prestes”.

Coluna Prestes



 A COLUNA PRESTES E OS SEUS OBJETIVOS

O movimento contou com lideranças das mais diversas correntes políticas, mas a maior parte do movimento era composta por capitães e tenentes da classe média, da onde originou-se o ideal do "Soldado Cidadão". Deslocou-se pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Artur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.
Em sua marcha pelo Brasil, os integrantes da Coluna Prestes denunciavam a pobreza da população e a exploração das camadas mais pobres pelos líderes políticos. Sob o comando principal de Luís Carlos Prestes (chefe de estado-maior), a Coluna Prestes enfrentou as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais de vários estados, além de tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia.
Partindo do município de Santo Ângelo, que hoje abriga o Memorial da Coluna Prestes, o movimento percorreu vinte e cinco mil quilômetros pelo interior do Brasil durante dois anos e meio. Apesar dos esforços, a Coluna Prestes não conseguiu a adesão da população. A longa marcha foi concluída em fevereiro de 1927, na Bolívia, perto de nossa fronteira, sem cumprir seu objetivo: disseminar a revolução no Brasil.
A Coluna Miguel Costa-Prestes poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas.
O movimento liderado por Carlos Prestes contribui para disseminar os problemas do poder concentrador oligárquico da República Velha, culminando na Revolução de 1930. Projeta a figura de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Prestes foi chamado por esta marcha de cavaleiro da esperança na luta contra os poderes dominadores da burocracia e dos setores elitistas.

Membros da Coluna Prestes


A COLUNA PRESTES EM PERNAMBUCO

A tropa revolucionária atravessou o estado do Piauí. Passou por Ouricuri - PE e logo depois, recebeu emissários do partido comunista brasileiro, buscando apoio da coluna, ao plano de rebelião militar nos estados do nordeste.
A cidade de Triunfo – PE, foi o local escolhido como centro de operações desse levante, que contou com apoio dos Tenentistas. No entanto, houve denúncia do plano ás autoridades de Pernambuco, que com os outros estados envolvidos, agiram, conseguindo sufocar o levante. Houve prisões e mortes.
Após à histórica batalha na região da Umburana, o coronel João Alberto, definiu os 15 dias passados em Pernambuco como se fossem 15 meses. “Combatendo diariamente, não nos sobrava tempo, sequer, para comer, tal a velocidade com que nos deslocávamos. A cada passo, surgia uma reação nova”, narrou o experiente Coronel. 

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